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País tem a maior fuga de dólares em quase 10 anos

Sem melhora no quadro externo e com perspectivas pouco animadoras para o câmbio, a fuga de dólares aumentou e US$ 7,159 bilhões deixaram o Brasil em novembro. Assim, o País amargou o pior resultado do fluxo cambial em quase uma década, desde janeiro de 1999.

Agência Estado |

A saída tem sido liderada por investidores que vendem ações e títulos para cobrir prejuízos nos países de origem e multinacionais que remetem lucros às sedes. Além disso, empresas com dívida em moeda estrangeira têm optado por antecipar os pagamentos com medo de um dólar ainda mais alto no futuro.

Os dados do Banco Central, divulgados ontem, foram recebidos como um balde de água fria pelos economistas que tentavam ver alguma melhora no fluxo de capitais entre o Brasil e os demais países. O mês passado teve o pior resultado em anos porque a fuga de dólares saltou 54% na comparação com outubro. "Os números configuram um cenário de fuga de capitais por conta do aumento do risco relacionado ao Brasil", diz o economista-chefe do Banco Schain, Silvio Campos Neto.

Em novembro, a chamada conta financeira - onde são registrados os investimentos e remessas de lucro, entre outras operações - registrou a saída de US$ 10,298 bilhões. A fuga é 64,7% maior que a vista em outubro e quase cinco vezes maior que a observada em agosto, antes do agravamento da crise em meados de setembro.

Tantas remessas têm duas origens principais. Segundo analistas, investidores ainda vendem ações e títulos no Brasil para enviar o dinheiro aos seus países de origem, onde amargaram prejuízo em outras aplicações. Nas empresas, ainda é possível observar o movimento de transferência de lucros e dividendos às sedes. Nesses casos, os recursos são usados para cobrir prejuízos em outros países ou para reforçar o caixa das companhias.

Em novembro, porém, a fuga teve o reforço de empresas com dívida no exterior. Sem a perspectiva de melhora nas cotações do dólar no curto prazo, companhias com dívidas em moeda estrangeira nas próximas semanas têm preferido antecipar o pagamento com temor de novas altas no câmbio.

"O calendário de pagamentos de dívida em dezembro é mais pesado que o dos outros meses. Quem tem dívida pode ter decidido antecipar o desembolso porque há expectativa de que o câmbio pode piorar ainda mais", diz o superintendente do Banco Banif, Rodrigo Trotta.

O resultado do fluxo cambial só não foi pior porque a chamada conta comercial - onde são registradas as exportações e importações - trouxe US$ 3,139 bilhões ao Brasil. Com o aumento da oferta de crédito ao exportador e a diminuição da compra de artigos importados, que ficam mais caros com o câmbio alto, o ingresso de dólares nessa conta saltou 95% ante outubro.

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