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País precisa de US$ 100 bi para crescer, diz Fraga

Para o ex-presidente do BC, o Brasil precisará investir sobretudo em infraestrutura e educação

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Para manter o crescimento da economia em cerca de 5% a 6% ao ano, de maneira saudável e sem gargalos, o Brasil precisará investir US$ 100 bilhões, calcula o investidor e presidente do Conselho de Administração da Bovespa, Armínio Fraga. Para o ex-presidente do Banco Central, o País precisará destinar recursos principalmente para infraestrutura e educação, para permitir o desenvolvimento de setores importantes como turismo e agronegócios.

“Gostaria de ver uma taxa de investimento mais para 25% do PIB. Daria até para crescer mais rápido”, afirmou Fraga. Atualmente, os investimentos correspondem a cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB). O mínimo recomendado por especialistas para viabilizar o crescimento sustentável da economia é de 20% do PIB é.

Para Fraga, os investimentos em curso não são suficientes para acompanhar o crescimento da economia. Se não houver aumento, segundo ele, as cidades ficarão cada vez mais congestionadas e as seqüelas “terríveis” da urbanização tendem a aumentar, além dos gargalos em mão-de-obra e transportes. Indagado sobre a necessidade de um PAC 3, Fraga limitou-se a dizer que não "falava de marketing".

O ex-presidente do BC, no entanto, defendeu a boa fase do mercado de capitais brasileiro, ao palestrar no seminário “O Brasil Pós Crise Ainda Melhor: É Tempo de Investimentos de Longo Prazo”, organizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), no Rio. O número é crescente de investidores, com a procura por papeis de um lado e oferta de ações de outro.

“Estamos vendo no Brasil uma cadeia virtuosa no mercado de capitais”, disse. “Não temos hoje nem 500 empresas listadas e temos a chance de ter 2 mil na Bovespa em uma década. O potencial é enorme”, acrescentou.

Os lançamentos de ações de empresas no mercado têm sido mais modestos, com captações de recursos aquém do esperado – como a OSX, empresa de estaleiros de Eike Batista, que captou menos da metade do esperado – segundo o ex-presidente do BC, devido a um ajuste de preços à realidade econômica, considerado natural.

“O ano de 2007 é que foi atípico. Agora estamos vendo um ajuste dos IPOs à realidade”, acrescentou. Em 2007, uma enxurrada de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) a preços elevados refletia o excesso de liquidez no mercado de capitais, sobrava dinheiro no mercado. O processo foi interrompido pela crise econômica mundial, que enxugou os recursos e tornou mais difícil o acesso ao crédito.

“2010 se define como um momento bem diferente de 2007, antes da crise, em que a falta de transparência preocupava”, afirmou Roger Leeds, professor da John Hopikins University, ao lado de Fraga. De acordo com o economista, é preciso garantir a regulação dos investimentos, para evitar que o governo socorra intermediadores financeiros como seguradoras e bancos de investimentos.

Para Armínio Fraga, contudo, o governo não deve construir um sistema financeiro rígido demais “em que os agentes econômicos se comportem como rebanho”.

 

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