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País poderá ter equipamento russo em hidrelétricas do PAC, afirma Lula

RIO - O Brasil quer que a Rússia seja uma das fornecedoras dos equipamentos para as grandes usinas hidrelétricas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. Ontem, durante declaração conjunta após reunião de quase duas horas com o presidente russo Dimitri Medvedev, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a Rússia poderia fornecer equipamentos para as novas usinas hidrelétricas do PAC.

Valor Online |

Lula disse também que gostaria de contar com a participação russa na construção de ferrovias e em outras obras de infra-estrutura.

Lula não explicou mais detalhadamente as propostas - os dois presidentes não deram entrevista após o encontro. Mas o objetivo dos dois países é encontrar formas de cooperação que permitam melhorar a qualidade do comércio bilateral, hoje amplamente dominado por commodities primárias ou semi-manufaturadas. " Falei (para Medvedev) das oportunidades que o PAC oferece " , disse Lula.

De janeiro a setembro deste ano o comércio Brasil-Rússia alcançou US$ 7,318 bilhões, contra US$ 5,451 bilhões em todo o ano de 2007. As exportações brasileiras cresceram 41,1% e as importações, 138,6% nos nove primeiros meses deste ano. O Brasil segue superavitário, com quase US$ 1,2 bilhão de saldo até setembro. Mas persiste a tendência à baixa agregação de valor de ambos os lados. Da parte do Brasil, quase 80% das vendas estão concentradas em carnes e açúcar. Do lado russo, os carros-chefe das vendas são óleo diesel e fertilizantes, já misturados ou não.

" Precisamos ir além das commodities " , disse Lula, seguido pouco depois por Medvedev. Os dois presidentes acham que a cooperação pode crescer em energia (as estatais Gazprom e Petrobras estão entre as maiores do mundo), tecnologia militar, aeroespacial, biotecnologia e nanotecnologia, entre outros setores.

Foram assinados ontem vários acordos tecnológicos, inclusive um que prevê a cooperação russa para a construção de um helicóptero de ataque brasileiro. Sem detalhar, o acordo de cooperação militar prevê a aquisição pelo Brasil de produtos e serviços de defesa. De mais prático, entre os acordos foi assinado um que elimina a necessidade de vistos de entrada para viagens de cidadãos russos e brasileiros entre os dois países pelo período de 90 dias.

Brasil e Rússia estão ampliando o relacionamento, especialmente no âmbito do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, China e Índia), antes uma sigla de economistas, agora formalizado e que terá sua primeira reunião de cúpula no próximo ano, em Moscou. Em maio deste ano, Rússia e China declararam formalmente apoiar a pleito antigo do Brasil de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, ampliado em relação ao seu formato atual (hoje são 15 membros, sendo apenas cinco permanentes - Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China).

Lula e Medvedev também reafirmaram as posições assumidas pelos dois países na recente reunião do G-20, em Washington, sobre o combate à atual crise econômico-financeira. Segundo Lula, é necessário " reativar a economia real " e " evitar tentações protecionistas " , concluindo a Rodada Doha de negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), à qual a Rússia está em processo de adesão. Após quase dois dias no Rio, o presidente russo, que já passara pelo Peru, seguiu para visita à Venezuela.

(Chico Santos | Valor Econômico)

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