A população da Grécia, cada vez mais mobilizada contra o plano de rigor fiscal implementado há dois meses, vai experimentar agora a receita amarga do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em pronunciamento na TV, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, anunciou um programa de cortes orçamentários que totalizarão ¿ 30 bilhões em três anos.

A população da Grécia, cada vez mais mobilizada contra o plano de rigor fiscal implementado há dois meses, vai experimentar agora a receita amarga do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em pronunciamento na TV, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, anunciou um programa de cortes orçamentários que totalizarão ¿ 30 bilhões em três anos. O projeto, apresentado como a única forma de devolver as contas públicas à normalidade, é mais de seis vezes superior às economias já realizadas - e que resultaram em uma sequência de greves gerais no país. Durante seu pronunciamento, Papandreou reconheceu pela primeira vez que seu país estava à beira da falência. "Hoje, o plano de socorro será avalizado", afirmou, descrevendo o montante como "sem precedentes em nível mundial". Sem rodeios, o premiê socialista eleito em setembro anunciou tempos difíceis para seus compatriotas. "Com as decisões de hoje, todos os cidadãos sofrerão grandes sacrifícios. Não é uma decisão agradável", reconheceu, reforçando: "São decisões duras, mas necessárias, sem as quais a Grécia iria à falência." O objetivo das medidas é devolver em 2014 o déficit público - que em 2009 atingiu 13,9% - ao patamar aceito pelo Pacto de Estabilidade europeu, ou seja, máximo de 3% do orçamento. Previdência. A meta da Grécia é voltar com segurança a negociar seus títulos no mercado financeiro, deixando de depender dos empréstimos bilaterais. Para isso, porém, a receita do FMI e da União Europeia será amarga. Uma reforma previdenciária obrigará o grego a trabalhar mais para se aposentar, dos atuais 37 anos para 40 anos até 2015. Além disso, a base de cálculo das aposentadorias será a média dos salários recebidos ao longo da carreira, e não mais o último vencimento. O setor público também sofrerá as consequências. Os congelamento de salários, que já vigorava para 2010, será estendido até 2014. Funcionários públicos com ganho superior a ¿ 3 mil mensais perderão o 13.º e o 14.º salários, até aqui garantidos por lei. Os bônus que incidem sobre o soldo também serão reduzidos em 8%, depois de já terem sofrido achatamento de 12% em fevereiro. O mercado de trabalho privado também passará por modificações, com maior liberalização, que visará a incrementar a competitividade do país. Aos cortes de gastos e à perda do poder aquisitivo, se somarão o aumento do imposto geral sobre o consumo, de 21% para 23%. O índice de reajuste chegará a 10% sobre combustíveis, bebidas alcoólicas e tabaco. Os investimentos públicos serão reduzidos no período, e serão compensados pela liberalização dos setores como transportes e energia. Na prática, o primeiro resultado do plano de rigor será aprofundar a recessão no país.

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