O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou ontem que o Brasil ultrapassou, em outubro, a marca de 1 milhão de empregos formais criados desde o início do ano. O dado fechado, disse Lupi, será anunciado nos próximos dias, nas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Até setembro, a conta de novos postos formais em 2009 somava 932.651 - com grande impacto dos meses de agosto e setembro, quando foram criados quase 500 mil novas vagas.

A marca anunciada por Lupi é bem inferior aos 2.086.570 de empregos gerados entre janeiro e outubro de 2008. Mas, na opinião do ministro, já indica a recuperação da economia brasileira após a crise financeira. “Já estamos vendo a crise pelo retrovisor. A crise, hoje, é só para gringos”, disse, após a abertura da Feira e Conferência Internacional de Tecnologia Naval e Offshore (Fenashore), em Niterói (RJ).

Em seu discurso na cerimônia de abertura do evento, o ministro citou as medidas anticrise tomadas pelo governo e reclamou de projeções “pessimistas” sobre o mercado de trabalho em 2009. “Quando eu disse, em janeiro, que criaríamos mais de um milhão de empregos este ano, cheguei a ser ridicularizado, só faltaram me chamar de louco”, comentou. “Agora, vão ter que aturar.” Em setembro, a indústria de transformação foi o motor do bom desempenho no quadro de empregos, com a geração de 123 mil novas vagas, recorde histórico das estatísticas do Caged. O único segmento que apresentou fechamento de vagas foi a agricultura, com 17 mil postos de trabalho a menos.

Indústria naval

O ministro citou a indústria naval como um setor que vem contribuindo para a geração de novas vagas nos últimos anos. “Essa indústria, que chegou a ser uma das mais fortes do mundo, retomou o crescimento com o governo Lula, passando de 3 mil para mais de 50 mil empregos”, afirmou. Há hoje uma série de projetos de investimento que devem abrir mais 100 mil vagas até 2015.

A Transpetro, subsidiária da Petrobras para o setor de transportes, por exemplo, já avalia uma terceira etapa de seu plano de renovação de frota (Promef), que até agora contratou 33 embarcações, de um total previsto de 49 - a empresa recebe em breve proposta para oito navios gaseiros e finaliza negociações para oito embarcações de transporte de derivados de petróleo.

A terceira etapa do Promef já vai contemplar os investimentos no pré-sal, diz o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. “Com o pré-sal, o Brasil passa a ser exportador de petróleo. A logística, que já era importante, passa a ser fundamental”, disse o executivo. Ainda não há detalhes, porém, sobre quantos navios serão encomendados nem quando o novo plano será lançado.

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