A energia das termoelétricas em construção - movidas a combustíveis fósseis, emissores de gás carbônico - equivale a mais da metade da que será acrescentada por hidrelétricas também em obras. E as usinas a diesel produzem hoje cerca de 3,9 mil megawatts (MW) - mais energia do que vai produzir, por exemplo, a Usina de Jirau, no Rio Madeira (3,3 mil MW).

As declarações do presidente sobre a matriz energética foram feitas no programa de rádio "Café com o Presidente". Apesar de mais poluentes e mais caras, o País tem contado com as usinas térmicas e vai continuar precisando delas no futuro.

Segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje o Brasil tem uma capacidade total de produção de energia elétrica de cerca de 105,9 mil MW. As hidrelétricas são preponderantes, respondem por 75,2 mil MW (ou 71%). Mas as usinas termoelétricas (movidas a gás, diesel, óleo, carvão ou biomassa) aparecem logo em seguida, com cerca de 25 mil MW, ou 23,6% - a produção a diesel é de 3,9 mil MW.

Segundo a Aneel, hoje estão em obra 93 empreendimentos que usam a água para gerar energia. Somadas, as futuras usinas acrescentarão ao sistema cerca de 11,5 mil MW, quase o equivalente a uma nova Itaipu. Por outro lado, estão em construção 68 usinas termoelétricas, que vão produzir cerca de 6,7 mil MW.

Entre as novas térmicas que estão em obras, a maior parte da futura energia, cerca de 3,9 mil MW (ou 58,8%), será gerada com a queima de combustíveis fósseis, mais agressivos ao meio ambiente. As usinas a carvão, altamente poluentes, lideram essa lista: são quatro empreendimentos em construção, capazes de gerar cerca de 1,8 mil MW. A lista da Aneel revela ainda que estão em construção 11 unidades movidas a óleo combustível (caras e também poluentes) que terão, somadas, capacidade para 1,7 mil MW.

No balanço do governo Lula, a expansão da geração em usinas hidrelétricas e em termoelétricas vem ocorrendo praticamente nas mesmas proporções. Também segundo dados disponíveis no site da Aneel, de 2003 até setembro deste ano entraram em operação cerca de 9,7 mil MW produzidos em térmicas de todos os tipos, enquanto as novas hidrelétricas acrescentaram 10,8 mil MW ao sistema.

Em parte, essa situação pode ser explicada pelo fato de o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas ser mais lento, apesar de esse tipo de usina não emitir gás carbônico. A demora no licenciamento, associada à escassez de novos projetos de hidrelétricas, acabou abrindo espaço para o avanço das térmicas. O governo aposta agora em projetos de mega usinas, como as do Rio Madeira e a de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), para acelerar a expansão da produção hídrica.

Mas as dificuldades continuam rondando. O licenciamento de Belo Monte ainda não saiu e o calendário começa a jogar contra a intenção do governo de licitar a usina no dia 21 de dezembro. Para que isso aconteça, a licença precisa ser liberada para que o edital possa ser publicado até o dia 21 deste mês.

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