As medidas para ampliar a oferta de crédito aos exportadores devem ser apresentadas ao presidente Lula até o fim da próxima semana, informou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. O presidente vai decidir se quer que elas sejam implementadas imediatamente e, na minha opinião, elas devem ser.

"

O objetivo, como informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é garantir recursos para o setor, mas não a qualquer preço. "Não quer dizer que não vamos pedir garantias e as taxas serão as que tiverem de ser", disse Bernardo.

Segundo Jorge, o governo quer agir preventivamente porque metade das exportações brasileiras - cerca de US$ 100 bilhões - depende de financiamento. No entanto, ele comentou que a crise ainda "não está forte" para os exportadores, apesar das restrições de crédito no mercado externo. "Há possibilidade de secarem os financiamentos ou ficarem mais caros. Antes que ocorra, temos de estar preparados. Devemos ter medidas para implementar agora ou para ficarem na prateleira", disse Jorge.

Ele defende criatividade nas medidas, que estão em análise num grupo de trabalho formado pelo seu ministério, o da Fazenda e o Banco Central (BC). O desafio é apontar alternativas além das tradicionais, como a ampliação dos recursos ao Programa de Financiamento das Exportações (Proex) e às operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC). "Teremos de trabalhar com coisas não óbvias numa crise como essa, que é nova, diferente", disse Jorge.


Segundo Bernardo, os recursos ao setor exportador serão adicionais aos que o BC já está oferecendo nos leilões de dólares com compromisso de recompra. "Vamos tentar, tanto quanto possível, garantir recursos ao setor." Ele considerou "perigosa" a proposta de formar a linha de crédito a exportadores com recursos das reservas cambiais. Para o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que também participa dos estudos, qualquer solução depende do Banco Central.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, que já foi diretor de Assuntos Internacionais do BC, defende, por exemplo, leilões de dólares como os que o BC já vem fazendo, mas direcionado especificamente aos exportadores. Outra opção é depositar os dólares das reservas no Banco do Brasil no exterior. Com maior suporte financeiro, o banco abre mais linhas aos exportadores. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.