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Pacote de Obama deve afetar o Brasil

SÃO PAULO - O protecionismo contra países como Brasil, China e Índia no pacote de estímulo à economia americana deve virar lei , segundo analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Na noite de quarta-feira, o Senado americano aprovou uma emenda determinando que o plano de estímulo seja aplicado de maneira consistente com as obrigações dos EUA sob acordos internacionais.

Agência Estado |

 

Anteriormente, o pacote determinava simplesmente que todo "ferro, aço e produtos manufaturados" usados em projetos do pacote de estímulo fossem produzidos nos Estados Unidos. A medida provocou protestos e levou o presidente Barack Obama a fazer um apelo aos legisladores, apontando o perigo de a cláusula desencadear uma guerra comercial.

Com a emenda aprovada no Senado, os EUA terão de abrir o pacote a signatários do Acordo de Compras Governamentais, como Canadá e União Europeia, e ao México, que é parte do Nafta.O Brasil não é signatário do acordo - assim como Rússia, China e Índia.

E este aspecto protecionista do pacote deve permanecer na versão final da lei, segundo analistas. O Senado derrubou a emenda do senador John McCain, que retirava a cláusula "buy American". Na semana que vem, as versões da Câmara e do Senado vão para conferência, ou seja, a discussão da versão final da lei. Como a Câmara aprovou uma cláusula protecionista ainda mais rígida, é bastante provável que o "buy American", pelo menos o diluído, prevaleça na lei final.

"Não foi uma surpresa terem derrubado a emenda de John McCain - o isolacionismo tem grande apelo nos Estados Unidos neste momento e deve prevalecer", disse ao Estado Nancy McLernon, presidente da Organization for International Investment (OFII), que representa as subsidiárias de empresas estrangeiras nos EUA.

Apesar de atenuada, a emenda protecionista foi criticada ontem em vários países. A confederação européia de fabricantes de aço afirmou que a emenda não resolvia o problema e que iria pedir às autoridades européias o questionamento do "buy American" na OMC.

Autoridades australianas alertaram que qualquer movimento protecionista desencadearia uma guerra comercial, e o Japão enviou carta a assessores de Obama e a lideranças do Senado. "A responsabilidade compartilhada por nossos países, que são a maior e a segunda maior economias do mundo, é resistir ao protecionismo juntos", disse o chefe de gabinete do Japão, Takeo Kawamura.

Para Diego Bonomo, diretor-executivo do Brazil Information Center, que representa empresas brasileiras nos EUA, a esperança é a interpretação que o governo Obama dará às exceções, já que a lei prevê que a restrição não precisa ser aplicada quando houver "interesse público" e quando encarecer em mais de 25% a obra.

Os senadores democratas concordaram ontem em reduzir de US$ 900 bilhões para US$ 800 bilhões o tamanho do pacote de estímulo, para convencer republicanos a votarem no plano. Republicanos criticavam o pacote por causa de "desperdícios de dinheiro público" e medidas que não iriam criar empregos no curto prazo, segundo eles.

Em discurso no Departamento de Energia, o presidente Barack Obama disse ontem à noite que "o tempo para debater terminou", e conclamou os congressistas a aprovarem o pacote. No entanto, até ontem os democratas precisavam de pelo menos dois votos republicanos para aprovar a lei no Senado, mas a sessão foi suspensa e será retomada nesta sexta-feira.

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