Reduzir impostos para a classe média e aumentar a carga sobre a elite e nos lucros das empresas. Essa será a receita do governo britânico para tentar salvar sua economia e o Natal.

Ontem, o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou um pacote de incentivos fiscais que custará aos cofres do país US$ 30 bilhões, 1% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico.

Amanhã é a vez de a União Européia anunciar seu pacote de resgate da economia que pode ser de mais de 130 bilhões, ainda que alemães e franceses continuem mostrando suas divergências.

O plano inglês prevê reduzir os impostos para grande parte da população como forma de incentivar o consumo e dar novo impulso à economia. Para se financiar, os britânicos aumentarão os impostos sobre a camada mais rica da população.

Dados divulgados ontem apontam que a economia inglesa, já em recessão, vai sofrer retração de 1,5% em 2009. Até 2010, o número de desempregados pode chegar a 2,5 milhões de pessoas. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisa Econômica, que estima que só um pacote de US$ 60 bilhões poderá evitar a queda do PIB.

Ontem mesmo, o governo inglês revelou suas novas previsões e constatou que a queda da economia e a recessão serão mais longas que o previsto. A economia vai se expandir apenas 0,75% em 2008. Para 2009, sofrerá um recuo de até 1,25%, voltando a crescer em 2010.

Já as encomendas ao setor industrial europeu sofreram retração de 4,6%, segundo dados da Comissão Européia. Em agosto, a taxa já havia recuado 1,5%. As maiores quedas ocorreram na Alemanha - quase 10% -, país cuja economia também está em recessão.

O secretário do Tesouro, Alistair Darling, anunciou uma alta no imposto de renda de 40% para 45%, para pessoas que ganham mais de US$ 220 mil por ano. O imposto vai subir a partir de 2011, data que não foi estabelecida por acaso. Em maio de 2010, o governo enfrenta eleições gerais e não quer ter de pedir votos ao mesmo tempo em que eleva a tributação.

Para o curto prazo, Darling vai reduzir o imposto ao consumidor - conhecido como VAT - de 17,5% para 15%. A medida beneficia 22 milhões de pessoas e deve incentivar o consumo no Natal e ajudar a economia a voltar a funcionar. A diferença na arrecadação poderá ser preenchida num primeiro momento pelo governo, que em 2009 prevê US$ 149 bilhões.

O dinheiro apenas poderá ser recuperado a partir de 2011, com os novos impostos sobre os ricos. O aumento dos impostos para a classe alta tem como objetivo tentar acalmar os mercados e assegurar que o endividamento do Tesouro terá limites. A contribuição das empresas nas contas da previdência social também aumentará.

Mesmo assim, há quem alerta que o dinheiro recolhido da elite inglesa não será suficiente para pagar pelos gastos do governo. Para pagar pelos incentivos, o governo britânico gastará em 2009 1% de seu PIB. Além disso, os empréstimos do setor público aumentarão para US$ 118,04 bilhões em 2008 e subirão para US$ 178,6 bilhões em 2009, cerca de 8% do PIB.

O governo do Reino Unido vai adotar "medidas justas e responsáveis" para proteger as famílias e as empresas da desaceleração econômica, afirmou Darling. Mas a oposição alerta que pode ser uma "bomba-relógio". Para o líder do Partido Conservador, David Cameron, a isenção fiscal de hoje terá de ser paga em algum momento no futuro. "A dívida vai crescer e, cedo ou tarde, teremos de pagar."

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