Tamanho do texto

A criação pela União Europeia (UE) de um fundo anticrise de até 750 bilhões de euros espalhou euforia, ontem, nos mercados financeiros. Depois de semanas de especulações sobre a Grécia e sobre a saúde financeira de Portugal e da Espanha, o recado de unidade e força transmitido por Bruxelas na madrugada de ontem foi bem recebido pelos investidores.

A criação pela União Europeia (UE) de um fundo anticrise de até 750 bilhões de euros espalhou euforia, ontem, nos mercados financeiros. Depois de semanas de especulações sobre a Grécia e sobre a saúde financeira de Portugal e da Espanha, o recado de unidade e força transmitido por Bruxelas na madrugada de ontem foi bem recebido pelos investidores. Na Bolsa de Madri, o índice Ibex 35 subiu 14,44%.

O otimismo se espalhou pelo continente. Na Itália, o índice MIB, da Bolsa de Milão, fechou com alta de 11,28%. Em Portugal subiu 10,73%. Mesmo em países que não corriam risco de ataques especulativos, como França e Alemanha, os investidores demonstraram satisfação, impulsionando os mercados a altas entre 5,3%, caso de Frankfurt, e 9,66%, em Paris. Seguindo a tendência, o euro também se valorizou ante o dólar. Depois de ter caído a US$ 1,251 na última semana, voltou a US$ 1,309 à tarde.

O mercado brasileiro também reagiu com euforia. A Bolsa de São Paulo subiu 4,11% e fechou aos 65.452 pontos. O dólar caiu 4%, fechando a R$ 1,777. Foi a maior queda porcentual desde 24 de novembro de 2008, no auge da crise financeira global.

A euforia se deveu a dois fatores. O primeiro deles foi anunciado na madrugada de ontem, em Bruxelas: a criação de um “mecanismo de estabilidade” para a zona do euro, com 500 bilhões de euros. Desse total, 60 bilhões de euros já estão disponíveis e podem ser usados em curto prazo por países da zona do euro em caso de risco sistêmico. Ao valor, somam-se 250 bilhões de euros, do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A segunda razão foi o anúncio, feito em Frankfurt, de que o Banco Central Europeu (BCE) iniciará um processo de recompra de títulos de dívida pública dos países do bloco - atitude inédita nos dez anos da moeda única. A autoridade monetária ainda confirmou que relançará suas operações de empréstimo em dólares, assim como vai reativar medidas para elevar a liquidez na Europa, usadas após a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. “É uma mensagem forte enviada ao mercado: ‘Não permitiremos que o euro fracasse’”, afirmou à agência Reuters Klaus Wiener, analista financeiro da consultoria Generali Investments, de Londres.

As medidas foram interpretadas como demonstração de sintonia, integração e força da União Europeia. A expectativa é que, liderado por Alemanha e França, o bloco possa ampliar nos próximos meses as ferramentas de governança econômica, até mesmo com a transformação do mecanismo em um Fundo Monetário Europeu (FME). “O plano tem credibilidade e demonstra uma Europa, enfim, unida e pragmática”, afirmou ao jornal Le Monde o presidente do Conselho de Análise Econômica, Christian de Boissieu. “É um passo capaz de generalizar e perenizar o que já havia sido feito em favor da Grécia”, disse Boissieu.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.