A captação final na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da OSX, empresa de serviços para a indústria de petróleo controlada pelo empresário Eike Batista, ficou ainda abaixo do máximo previsto pela empresa, mesmo após as mudanças na operação. Dos R$ 3,3 bilhões que a oferta poderia alcançar, foram captados R$ 2,817 bilhões, segundo dados encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A previsão inicial da empresa era captar até R$ 9,9 bilhões.

Esse fraco apetite do mercado na oferta pode levar ao adiamento da abertura de capital da EBX, holding que concentra as empresas do grupo e está avaliada em mais de R$ 50 bilhões. A operação era aguardada ainda para o primeiro semestre deste ano.

De acordo com fontes de mercado, a abertura de capital da EBX seria uma forma de os investidores participarem de todos os projetos de Eike por meio de uma única empresa listada em bolsa. Além da OSX, cujas ações estreiam na bolsa na segunda-feira, o grupo de Eike controla outras quatro empresas que possuem ações negociadas na BM&FBovespa: a MMX Mineração, a OGX Petróleo, a MPX Energia e a LLX Logística. Em valor de mercado, estima-se que a EBX seja o terceiro maior grupo privado não financeiro do País.

A ideia era que o IPO da holding saísse por um valor abaixo da soma das partes que a compõem, ou seja, uma forma de comprar as empresas com desconto. "Mas, agora que os investidores mostraram que não estão dispostos a ser sócios dos projetos do Eike a qualquer preço, faria sentido dar uma segurada no IPO da EBX", avalia uma fonte.

Caso opte por adiar a operação, a abertura de capital da holding deve ficar para 2011, já que o segundo semestre deste ano será marcado por eventos como as eleições, que costumam trazer maior instabilidade ao mercado, e pode contar ainda com a megacapitalização da Petrobrás, que deverá drenar a maior parte dos recursos disponíveis no mercado. Procurada, a EBX disse apenas que nunca divulgou oficialmente a possibilidade de fazer a oferta na Bovespa.

Sem excesso. Com as mudanças feitas pela OSX em sua oferta - como a mudança do valor mínimo da ação de R$ 1.000 para R$ 800 -, havia a expectativa no mercado de que o IPO chegasse aos R$ 3,3 bilhões. Mas o lote adicional, quando há excesso de demanda, não foi registrado. O preço final ficou mesmo em R$ 800 por ação.

A oferta foi destinada apenas a investidores qualificados - que possuem pelo menos R$ 300 mil para investir. Com o adiamento no cronograma da operação após a mudança nas condições, as pessoas físicas que reservaram ações da OSX ganharam prazo até terça-feira para desistir do negócio. Como os papéis estreiam na bolsa um dia antes, eles terão uma rara vantagem de poder comprar por um preço mais baixo, caso a ação suba no pregão, ou desistir da reserva se os papéis caírem.

No pregão de ontem, as ações das empresas de Eike Batista fecharam em queda. Segundo fontes de mercado, investidores que participaram do IPO venderam parte dos papéis que detêm das demais empresas do grupo para pagar pelas ações da OSX.

Com a entrada da OSX, o grupo EBX passa a ter cinco diferentes empresas listadas em bolsa. Duas delas, a MMX e a MPX, não estão sendo vistas pelo mercado como no seu melhor momento. Na última sexta-feira, a mineradora MMX divulgou seu balanço do quarto trimestre, que veio com dados financeiros e operacionais ruins. Na segunda-feira, a empresa explicou que teve de aumentar gastos para melhorar a produção das minas do Sistema Sudeste, que não operou em sua capacidade máxima.

A MPX, por sua vez, que chegou a anunciar esta semana investimentos de US$ 1,9 bilhão para produzir carvão mineral na Colômbia, tem sido vista com desconfiança por alguns investidores. Eles acreditam que a empresa está mudando seu foco inicial - a energia -, pois não estaria obtendo os resultados desejados.

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