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Oscar Freire valoriza mais que a 5ª Avenida

Dois dos endereços mais badalados de São Paulo, a Rua Oscar Freire e o Shopping Iguatemi, ambos nos Jardins, zona sul, colocaram a cidade entre as 50 com os aluguéis de lojas mais caros do mundo. A capital paulista está em 32º lugar, mas pula para 9º lugar quando se considera apenas o Shopping Iguatemi, que cobra em média US$ 176 o metro quadrado de uma loja - pouco se comparado com o campeão da lista, a 5ª Avenida, em Nova York, onde o metro quadrado custa US$ 2.

Agência Estado |

244. "O Iguatemi é um lugar consagrado", diz Milena Morales, gerente de pesquisa da Cushman&Wakefield, empresa responsável pelo levantamento.

O ranking foi montado com base em dados recolhidos durante 12 meses, a partir de junho de 2007. Comparando com os resultados da edição anterior, o Iguatemi não teve valorização, chegando a pontuar -0,2% nos preços dos aluguéis. "Isso sempre acontece quando estamos encubando novos projetos", explica Carlos Jereissati, dono do shopping. "Para o ano que vem teremos um prédio com mais 500 vagas de estacionamento, além de dois restaurantes e uma megalivraria." As mudanças já começaram, com a chegada de seis novas marcas, entre elas a Gucci, com sua primeira loja do Brasil.

Prova de que o público é exigente, a Rua Oscar Freire se valorizou após a revitalização do espaço, que lhe conferiu ares de bulevar. Os fios elétricos foram soterrados, as calçadas alargadas, e surgiram bancos onde os freqüentadores - são 30 mil por dia - sentam para conversar e tomar sorvete. A mudança fez o preço da locação subir 33%. A partir daí, foram abertas ali cerca de 40 lojas de grifes nacionais e internacionais, segundo Rosângela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas da região.

Surgiram outros tipos de lojas, maiores e conceituais. A Havaianas abriu um espaço de 500 metros quadrados, assinado por Isay Weinfeld - arquiteto que projetou o Hotel Fasano, também nos Jardins. Entre as Ruas Melo Alves e da Consolação, o antigo prédio da Formatex, de 650 metros quadrados, foi alugado pela Le Lis Blanc, loja de decoração e roupas femininas. Quem assina o projeto de decoração é o arquiteto Sig Bergamin, que fez trabalhos em residências de personalidades como Nizan Guanaes. A Adidas também abriu uma megaloja, com 700 metros quadrados - por uma luva de cerca de US$ 500 mil, estima-se.

A valorização da rua provocou uma supercorrida por pontos. Um dos mais disputados foi o da esquina com a Haddock Lobo. O endereço ficou dez anos vago. Christian Dior, Zara, Ralph Lauren e uma concessionária Peugeot tentaram alugar, mas desistiram. Três marcas se associaram para conseguir o ponto, Espaço Santa Helena, Cleusa Presentes e Suxxar.

"Não é só uma questão imobiliária. As grifes que foram para lá depois da revitalização trouxeram um novo padrão de lojas", diz Kathia Raucci , da consultoria imobiliária Saramandona. "Ali, tem loja de vidro belga. E o padrão de cliente que atrai agrega ainda mais valor ao ponto. Por isso, preços da luvas que chegam a R$ 1 milhão, muitas vezes."

Hoje, ela é a quarta rua mais valorizada das Américas. Perde para a Avenida Rivadavia, em Buenos Aires, com 43%; para a Bloor Street , em Toronto, com 43%; e para a Avenida Santa Fé, também na capital argentina, com 41,5%. "Neste último ano, o câmbio estava muito favorável aos argentinos. E Buenos Aires é uma cidade mais turística do que São Paulo", afirma Milena. "Mas a Oscar Freire virou a grande vitrine paulistana."

Ponto conhecido nacionalmente de comércio popular, a Rua 25 de Março, segundo a pesquisa, não teve nenhum tipo de valorização. Isso não indica desvalorização. "Não há loja disponível para locação ali", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

"Esse é com certeza o ponto de São Paulo com o aluguel mais caro de toda a cidade." Apesar de não ser chique, a 25 de Março tem um público imbatível. Num feriado, por exemplo, recebe 700 mil pessoas (1 milhão no fim do ano). E o valor dos aluguéis é proporcional à capacidade de venda do espaço por metro quadrado.

"A Cushman não deve ter conseguido muitos dados", diz Pompéia. "Os negócios ali são fechados. Não há corretor na jogada, nem placa de aluguel. Quando surge um ponto, o que é raro, ele já foi vendido no boca-a-boca, entre os comerciantes da região, que são amigos. E o preço da luva passa da casa do milhão de reais."

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