Santiago do Chile, 30 set (EFE) - O Conselho de Defesa do Estado chileno (CDE) processará pela via civil os bancos americanos que ocultaram a fortuna do ditador Augusto Pinochet, segundo fontes oficiais citadas hoje pela imprensa.

O CDE, organismo que tem como missão defender, representar e assessorar juridicamente o Estado chileno na defesa de seus interesses, foi autorizado pelo Governo a empreender ações em virtude da responsabilidade civil que supostamente recairia em entidades financeiras radicadas dos Estados Unidos.

Os bancos envolvidos são o Riggs, o Espírito Santo, Citibank, Santander, Banco Chile de Nova York, Coutts de Miami e Atlantic, mas a lista pode variar por causa de novas informações surgidas ao longo das investigações judiciais dos últimos meses.

Segundo as investigações do juiz chileno Carlos Cerda, Pinochet acumulou nas contas secretas que administrava no exterior uma fortuna calculada em mais de US$ 26 milhões, dos quais US$ 20 milhões não possuem explicação legal.

As diligências que o CDE empreenderá incluirão tanto negociações prejudiciais, a fim de alcançar um acordo, quanto ações judiciais, administrativas ou de qualquer índole que permita a legislação americana, incluindo a possibilidade de realizar transações com os bancos requeridos.

O Conselho de Defesa do Estado, que ainda não definiu o valor das indenizações que solicitará, contratou, em 2005, o advogado americano Pedro Martínez-Fraga, que, meses atrás, assegurou que tinha "todos os dados necessários" para processar os bancos ou chegar a um acordo com eles.

Na ocasião, Martínez-Fraga afirmou que, apesar de não ser prudente comentar as possíveis negociações, "estavam prevalecendo as mentes razoáveis" e existia a possibilidade de alcançar um acordo.

Segundo esta versão, os bancos envolvidos sabiam dos custos de um julgamento deste porte, que inclusive poderia envolvê-los em uma investigação para determinar se cumpriram a normativa legal do Office of the Comptroller of the Currency (OCC).

Esta agência federal dos Estados Unidos é encarregada de vigiar o funcionamento dos bancos nacional e estrangeiros no país. EFE mc/db

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