A possibilidade de agravamento da crise levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recomendar aos ministros da área econômica, na reunião semanal de coordenação política, que não deixem faltar crédito a nenhum setor. Lula mostrou-se preocupado com o crédito à pessoa física.

"O presidente pediu para ficarmos atentos e disse que não se pode fingir que não há crise. Ele pediu para que cuidemos do crédito e afirmou: Olha, o Natal está chegando", relatou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O maior temor do presidente é que a crise esfrie o ritmo dos investimentos na economia e aborte o ciclo de crescimento econômico sustentado. Manter os canais de crédito abertos é a melhor forma de evitar o problema. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou a estratégia: "Será assim: se surgir o problema vamos enfrentá-lo, os que já se apresentaram estão sendo enfrentados e, por causa disso, temos condições de garantir que a economia brasileira continuará em trajetória de crescimento sustentável".

Para dar mais fôlego aos financiamentos, discutiu-se ontem, no Planalto, a possibilidade de redução do nível de depósitos compulsórios dos bancos. A medida liberaria mais recursos para a economia e facilitaria a concessão de empréstimos. Segundo um dos participantes do encontro, o tema foi analisado mas não houve decisão.

Avaliou-se que as áreas mais afetadas pela falta de crédito são os setores exportador e agrícola e os bancos privados que fornecem capital de giro a empresas. Pode também faltar dinheiro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal financiador de projetos da indústria e da infra-estrutura. Todos os esforços são para contornar esses problemas.

Mantega afirmou que o Banco Central vem ajudando os exportadores com seus leilões no mercado de câmbio, mas medidas adicionais poderão ser adotadas se necessário. Da mesma forma, o Banco do Brasil acelerou a liberação dos empréstimos à agricultura e poderá ter um aporte extra de R$ 5 bilhões. Está em estudo, também, o reforço do Fundo da Marinha Mercante, para construção de navios. Anteontem, o BNDES foi autorizado a ampliar os empréstimos à Petrobrás, para até R$ 12 bilhões.

O presidente recomendou aos ministros que conversem com empresários e banqueiros para ter uma visão mais clara do impacto da crise na economia real e as perspectivas para 2009, segundo uma fonte. A idéia é não só passar uma mensagem de confiança, como também verificar os impactos da crise na economia real.

Apesar da preocupação, Lula assegurou que "não tem pacote" de medidas para amenizar os efeitos da crise internacional no Brasil. Mantega brincou: "Tem pacote, sim. Mas é nos Estados Unidos".

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