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Oposição faz ´terrorismo´ com crise, acusa governo

BRASÍLIA - Às vésperas da votação de duas medidas provisórias editadas para combater o efeito da crise internacional - as MPs 442 e 443 -, a reunião da coordenação política do governo concluiu que a oposição no Senado estaria fazendo terrorismo com a conjuntura econômica atual . A reunião contou, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com os ministros José Múcio (Coordenação Política), Comunicação (Franklin Martins), Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil), Tarso Genro (Justiça) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).

Valor Online |

Os participantes reclamaram que setores da oposição " criam factóides e disseminam o pânico na sociedade porque estão assustados com a capacidade de o governo administrar a atual conjuntura econômica " .

O governo mostrou-se particularmente irritado com as afirmações feitas, na semana passada, pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), de que a Petrobras estava " quebrada " e que, por este motivo, se viu obrigada a pedir um empréstimo de R$ 2,23 bilhões à Caixa Econômica Federal e outro de R$ 751 milhões ao Banco do Brasil. Na opinião de integrantes do governo, esse seria o exemplo mais visível e recente do terrorismo da oposição.

Durante a reunião, o governo mais uma vez reforçou a esperança de votar ainda este ano a reforma tributária na Câmara. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma reunião com os governadores do Nordeste na tentativa de criar um mutirão pró-reforma e vencer, assim, as resistências dos governadores do Sudeste e Centro-Oeste. Para o governo, a aprovação da reforma seria um " sinal positivo importante que o setor público como um todo pode dar para a sociedade neste momento de incertezas " .

Lula e os ministros entendem as resistências de alguns administradores estaduais em torno " de um assunto tão complexo " . Mas, segundo eles, o momento histórico exige a aprovação da reforma.

A oposição recebeu com desdém e sarcasmo as acusações feitas pelo presidente Lula. Depois de uma risada irônica, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), disse que o governo surtara de vez. Aníbal se disse surpreendido com o comportamento do Executivo. " Na semana passada, durante reunião ministerial, eles tiveram um ataque de exaltacionismo que não corresponde à realidade " , declarou o tucano.

Aníbal circulou ontem pelo interior de São Paulo e captou cenários que, segundo ele, demonstram que o discurso governista está desconectado da realidade. " A GM, a Volks e a Ford decretaram férias coletivas e a Embraer está enfrentando dificuldades " . O tucano disse ser injustiça a acusação feita à oposição, já que PSDB e DEM ajudaram a aprovar as duas MPs anticrise votadas na Câmara.

O vice-líder do DEM na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), lembrou que a oposição tem dado constantes sugestões ao governo para que este enfrente melhor a crise, mas o Planalto e a equipe econômica fazem ouvidos moucos. " Deviam chamar também a ONU de terrorista. Nós dizemos que o Brasil vai crescer no máximo 3% no ano que vem. A ONU prevê um crescimento de apenas 0,5% " , reclamou o demista, dizendo que o governo deveria parar de se preocupar em fazer propaganda e passar a administrar a crise com mais responsabilidade.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico)

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