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Opep tenta equilibrar volume de corte da oferta de petróleo

Viena, 23 out (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decide amanhã em Viena quantos barris retirará do mercado e a que velocidade fará isso, para tentar conseguir um preço do barril que não prejudique os países-membros do cartel nem piore a situação dos consumidores.

EFE |

Assim explicou hoje em Viena o presidente rotativo da Opep e ministro de Minas e Energia argelino, Chakib Khelil, em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas.

"A decisão que enfrentamos é muito difícil", disse Khelil, após lembrar que a extrema volatilidade dos preços, que subiram até US$ 147 o barril em julho para cair para menos de US$ 65 esses dias, teve sua origem na crise de hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, em agosto de 2007.

Atualmente, "temos excesso de oferta, os estoques (reservas armazenadas de petróleo e derivados) estão muito altos", destacou o presidente da Opep.

Da mesma forma que em situações similares do passado, a maioria dos 13 países-membros do cartel defende agora reduzir o nível de produção conjunta, mas atualmente, segundo Khelil, o grupo deve levar em conta três pontos importantes.

Em primeiro lugar, o corte não deveria impactar negativamente a economia mundial, já que a Opep não quer piorar a crise financeira mundial, destacou.

Por outro lado, "não queremos que nossos países, apesar de se encontrarem em uma situação melhor (que os afetados pela crise financeira), também entrem em crise", acrescentou.

Em terceiro lugar, a Opep deve pensar que "em qualquer caso, haverá um impacto (negativo) no fornecimento de petróleo nos próximos três anos", pois tanto a forte queda dos preços quanto a falta de liquidez e crédito internacionais já começaram a adiar e a paralisar vários investimentos no setor.

Segundo Khelil, muitas pequenas empresas do setor petrolífero não recebem os créditos que necessitam para funcionar e desaparecerão; inclusive grandes consórcios enfrentam problemas para desenvolverem seus projetos.

Além disso, os preços do barril abaixo de US$ 70 e US$ 80 causam problemas para o desenvolvimento de fontes de energia mais caras, como os biocombustíveis e a exploração de areias betuminosas e petróleo extraído em alto-mar.

"O que fazemos agora? Queremos reduzir, mas quanto e com que velocidade eu não sei", reconheceu o ministro argelino.

Khelil disse que se deve evitar uma redução muito drástica, mas não quis falar em números, após se limitar a destacar que seria "grande demais" uma redução de 3 milhões de barris diários e "muito pequena" uma de 100 mil barris diários.

No entanto, insistiu que não apenas a Opep, mas também os produtores alheios ao cartel e até consumidores têm "razões" para favorecer uma diminuição da oferta petrolífera atualmente, tendo em vista o freio da demanda causado pelo "impacto da crise financeira na economia real".

"Pensamos que só na China, Índia e no Oriente Médio haverá um crescimento da demanda em 2009", disse.

"Realmente, temos que calibrar nossa decisão", insistiu Khelil, que previu que os ministros da Opep que começaram a chegar a Viena trabalharão "intensamente esta noite" para aproximar posições antes da 150ª conferência que a organização deve abrir amanhã às 9h horas locais (5h de Brasília). EFE wr/wr/jp

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