A Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúne com urgência sexta-feira em Viena para tentar evitar o colapso dos preços do cru, que caíram pela metade em poucos meses, enquanto chovem indicadores macroeconômicos que confirmam um enfraquecimento econômico mundial.

Segundo indicaram vários ministros da Opep, o cartel, que produz 40% da oferta mundial de cru, vai se pronunciar por uma redução significativa de sua oferta, de pelo menos um milhão de barris diários, para estabilizar os preços do petróleo.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação do "light sweet crude" negociado nos EUA) para entrega em dezembro encerrou cotado a 66,75 dólares, uma queda de 5,43 dólares em relação a terça-feira.

Em sessão, o barril chegou a ser negociado a 66,20 dólares, seu nível mais baixo desde 14 de junho de 2007.

Em Londres, o barril de Brent com vencimento semelhante fechou abaixo dos 65 dólares, a 63,96 dólares, seu preço mais baixo desde 9 de maio de 2007, terminando o pregão cotado a 64,52 dólares, em baixa de 5,20 dólares.

A queda das últimas semanas do preço do ouro negro levou os 12 países produtores de petróleo que integram a Opep a adiantar a sua reunião extraordinária de 18 de novembro para 24 de outubro.

"A queda dos preços nestes últimos dias provocou seguramente uma onda de pânico na Opep", considerou o economista Hugo Navarro, da agência Capital Economics.

Segundo analistas, a única incógnita dessa reunião parece ser o nível do corte, já que alguns países pediram que a redução seja maior que um milhão de barris diários.

O Irã indicou na terça-feira que a Opep deveria reduzir sua produção entre 2 e 2,5 milhões de barris diários (mbd) para estabilizar o mercado.

A Argélia também insinuou que o corte deveria ser de cerca de dois milhões de barris diários.

O ministro da Energia do Qatar, Abdallah ben Hamad al-Attiyah, estimou que o "melhor preço" para um barril de petróleo é de 80 a 90 dólares.

Alguns analistas ressaltam, no entanto, que o problema para a Opep será conseguir controlar efetivamente a queda dos preços do cru, em um contexto de desaceleração econômica mundial, confirmada por uma série de dados macroeconômicos que apontam para uma recessão em Estados Unidos e Europa.

ame/dm

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