A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) contrariou as expectativas do mercado e decidiu ontem reduzir a produção diária de petróleo em 520 mil barris - dos atuais 29,67 milhões para 28,8 milhões. Os integrantes do cartel encerraram na madrugada de hoje (no horário local) sua reunião periódica em Viena.

Em comunicado divulgado depois do encontro, a organização afirmou que o mercado está superabastecido. Durante o dia, o barril do petróleo registrou fortes quedas nos mercados de Londres e Nova York. O petróleo do tipo WTI encerrou o pregão em US$ 103,26, queda de 2,9% ante o dia anterior.

Em Londres, o barril do tipo Brent caiu 3,08%, para US$ 100,34. Durante o dia, o Brent chegou a ser negociado abaixo dos US$ 100, rompendo barreira que até um ano atrás era considerada limite para a alta, então na casa dos US$ 70.

Além da expectativa sobre a decisão da Opep, o mercado foi influenciado pelas previsões de que o furacão Ike não causará grandes danos à infra-estrutura de produção no Golfo do México. "As questões relacionadas à economia e à demanda voltaram a ser os principais fatores de direcionamento desse mercado", disse Gene McGillian, analista da corretora Tradition Energy.

Em suas projeções mensais para o curto prazo, a Agência de Informações de Energia (EIA, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos prevê queda de 2,8% no consumo de petróleo no país este ano. "Menor demanda por óleo da Opep e incremento na capacidade de produção devem garantir ao mercado um colchão contra problemas de suprimento em 2009", diz a EIA.

A mudança no cenário vem levando o mercado a rever as projeções de preços médios este ano. A EIA reduziu a estimativa em 2,8% em relação ao relatório do mês anterior, para US$ 115,81. O analista Luiz Otávio Broad, da Corretora Ágora, acredita que a média anual deve ficar perto dos US$ 111 - antes, ele trabalhava com US$ 116.

A queda das cotações internacionais já tem impacto no Brasil, mas não deve chegar ao consumidor de gasolina e diesel, apontam os especialistas. O preço do querosene de aviação (QAV), que acompanha mais de perto as oscilações mundiais, caiu 14,17% no dia 1º. O produto, no entanto, ainda acumula alta de 17% no ano. Óleo combustível, nafta e gás boliviano, que também são reajustados segundo as cotações internacionais,também devem cair.

Os preços da gasolina e do diesel, que subiram em abril, devem ser mantidos. "A Petrobrás não vai mexer nisso agora, até porque o dólar está subindo", diz Broad. As ações da empresa vêm sofrendo com a queda do petróleo, lembra o chefe de análise da corretora Prosper, André Segadilha. Ontem, a queda foi superior a 6%.

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