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A Opep (Organização dos países exportadores de petróleo) reduziu fortemente de 0,64% para 0,33% sua previsão de alta da demanda de cru no mundo em 2008, após as expectativas anunciadas de recessão econômica em inúmeros países industrializados.

Em seu relatório mensal de novembro, publicado em Viena, o cartel também revisou em baixa sua previsão para 2009, apostando numa alta de 0,57% da demanda, contra o aumento de 0,87% previsto no relatório de outubro.

"A crise financeira dominou o mercado e o desaquecimento econômico derrubou a demanda de cru", resumiu a organização, em seu relatório mensal mais recente.

Segundo ele, é quase certo que os países mais ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos) estão agora em fase de recessão sincronizada e que o resto do mundo está sendo mais duramente atingido do que esperávamos.

No relatório deste mês, a Opep também lamentou o fato de os preços estarem caindo muito.

"Em razão de uma queda da demanda de cru nos países da OCDE, a demanda mundial de cru para 2008 foi revisada em baixa de 260.000 barris por dia, registrando uma fraca alta da demanda de 280.000 barris por dia", destacou a Opep.

Para 2008, a Opep espera no entanto sobre uma demanda de 86,19 milhões de barris por dia contra 86,45 milhões de barris por dia anunciadas em outubro.

Para o ano que vem, a nova previsão é de 86,68 milhões de barris por dia, ou seja, 530.000 barris por dia a menos que a estimativa publicada em outubro.

"A queda dos preços pode favorecer a demanda no quarto trimestre de 2008 até um certo ponto, mas esperamos que isto compense os efeitos do desaquecimento econômico, destacou o relatório do cartel.

Segundo ele, com a forte queda do consumo de combustíveis para os transportes, o consumo de cru na indústria petroquímica também caiu fortemente.

Com as previsões econômica negativas para 2009, com um recuo previsto do crescimento econômico mundial a 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) essencialmente devido às previsões de recessão nos países mais ricos, o relatório afirmou que o essencial da alta do cru no próximo ano virá dos países do Oriente Médio, da Ásia e da China.

Diante da queda contínua dos preços do cru, o cartel convocou uma nova reunião ministerial de urgência em 29 de novembro no Cairo, cujos analistas esperam o anúncio de uma nova redução da produção.

A decisão anterior de cortar a produção em 1,5 milhão de barris por dia na reunião extraordinária de 24 de outubro em Viena não teve os efeitos esperados.

"Em outubro o preço da cesta de cru da Opep caiu quase 29%, a uma média de 69,16 dólares o barril, a mais forte baixa registrada em um mês", destacou o relatório. Em 14 de novembro o preço da cesta caiu abaixo dos 50 dólares, a 49,09 dólares.

No mercado, o preço do barril de petróleo perdeu mais da metade de seu valor recorde de 147,50 dólares atingido em 11 de julho em Nova York.

gg/lm

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