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Opep prevê demanda de petróleo de 113 milhões de barris diários em 2030

Viena, 10 jul (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) calcula que a demanda mundial da commodity continuará subindo, da média de 86,88 milhões de barris diários este ano, para 113 milhões de barris por dia em 2030, e espera que a oferta de 116,3 milhões de barris satisfaça essas necessidades.

EFE |

Assim explicou hoje o diretor do Departamento de Estudos Energéticos Mohammed Hamel, em entrevista coletiva em Viena, com a presença do secretário-geral da Opep, Abdalla Salem El-Badri, por ocasião da divulgação do Boletim Anual de Estatísticas 2007 e da Previsão do Petróleo 2008 do cartel.

No relatório sobre as previsões futuras, destaca-se que os cálculos a longo prazo estão sujeitos a múltiplas variáveis, tais como os efeitos das políticas energéticas dos Governos e seus efeitos incertos sobre a demanda energética.

Essa incerteza pode afetar a oferta mundial de petróleo, já que tende a frear os investimentos no setor, como ocorreu no passado.

A Opep lembra que "os preços estiveram muito baixos na maior parte das décadas de 1980 e 1990", o que teve "um impacto dramático na indústria petrolífera", com queda de investimentos, estratégias dramáticas de redução de custos de produção e principalmente perda de pessoal, pois o setor não era atrativo para as novas gerações.

As conseqüências disso se refletem hoje nos temores de que o fornecimento futuro possa não ser suficiente.

"Os preços baixos foram ruins para a indústria petrolífera e para os produtores de petróleo, mas a longo prazo também foram ruins para os consumidores", dizem analistas da Opep.

"No início deste século, ao enfrentar a tendência de crescimento econômico global, o mundo não estava preparado para o dramático aumento da demanda de energia, sobretudo da Índia e da China", lembraram.

Essa situação favoreceu uma extraordinária escalada dos preços do petróleo, e o barril da Opep subiu de uma média de US$ 28, em 2003, para mais de US$ 130 em junho de 2008.

Isso porque, segundo o cartel, atualmente "não há escassez e os estoques comerciais de petróleo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) estão em níveis comerciais".

"Claramente, outros elementos diferentes dos fundamentos da oferta e da demanda estão em jogo", afirma a Opep.

Entre esses fatores, a Opep destaca, em primeiro lugar, a depreciação do dólar frente a outras moedas, como o euro, por exemplo, mas também a especulação com contratos futuros de petróleo, aos quais o relatório de referiu como "comércio em barris de papel".

"O comércio em barris de papel se expandiu dramaticamente nos últimos anos. Por exemplo, a diferença entre os barris de papel comercializados na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York) com os barris físicos fornecidos atualmente cresceu exponencialmente nos últimos cinco anos", diz o relatório.

"Em 2003, por cada barril físico eram comercializados seis barris de papel; hoje essa relação aumentou para mais de 18 barris (de papel por cada barril físico), ou seja, triplicou", e essa relação aumenta ainda mais se forem incluídos os mercados de futuros não regulados, como Londres e Cingapura, entre outros.

Também de modo ilustrativo, o documento ressalta que "os ativos colocados apenas no índice de matérias-primas aumentaram de US$ 13 bilhões, no final de 2003, para US$ 260 bilhões em março de 2008".

Nesses anos, houve, ao mesmo tempo, outros desdobramentos que mudaram a estrutura do mercado.

O crescimento econômico e da demanda energética no mundo ficaram mais resistentes à alta do petróleo.

No entanto, também aumentaram rapidamente os custos de produção, que, juntamente com vários projetos do setor que requerem grande soma de capital, aponta para a necessidade de um nível de preços mais alto do que em décadas passadas.

Segundo a Opep, os custos marginais de produção de biocombustíveis ou de petróleo extraído de areia betuminosa "estão atualmente em mais de US$ 70 por barril".

Por tudo isso, os analistas do cartel partem do princípio de que o barril da Opep terá piso entre US$ 70 e US$ 90 nos próximos anos.

Outro fator que desempenhou um papel essencial no forte encarecimento dos produtos petrolíferos são os gargalos no setor do refino, que requerem "investimentos substanciais em todas as regiões".

A Opep calcula que o mundo precisa aumentar a capacidade de processamento de produtos derivados em 27 milhões de barris diários, com investimento total no processamento de refino de mais de US$ 320 bilhões até 2015, soma que sobe para US$ 800 bilhões para o período 2007-2030. EFE wr/wr/gs

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