Arantxa Iñiguez. Davos (Suíça), 29 jan (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) afirmou hoje na cidade Suíça de Davos que atuará novamente se o preço do petróleo continuar baixo.

O secretário-geral da Opep, Abdalla Salem El-Badri, disse, no Fórum Econômico Mundial, que a organização "não terá problemas para tirar petróleo do mercado".

No entanto, Badri disse que a Opep observa, por enquanto, o impacto da última redução da produção de petróleo em um total de 4,2 milhões de barris diários (mbd).

Badri afirmou que a demanda de petróleo diminuiu, o que fez com que o preço do barril do produto tenha caído desde o recorde alcançado em julho do ano passado, de US$ 147, chegando aos US$ 40 de hoje.

A Opep realizou um corte historicamente alto de sua parcela de produção de petróleo diante da drástica e rápida queda do preço do barril de petróleo nos mercados de matérias-primas.

No início de dezembro de 2008, a Opep decidiu diminuir sua parcela oficial de produção em 2,2 milhões de barris diários (mbd), para até 24,845 mbd, a partir do dia primeiro de janeiro deste ano.

Por outro lado, o conselheiro delegado da companhia petrolífera britânica BP, Tony Hayward, afirmou que é adequado "um preço do barril de petróleo de US$ 60 a US$ 80", pois permitirá aos produtores receita suficiente para poderem investir mais em suas capacidades de produção.

Neste sentido, Badri considerou baixo um preço do barril de petróleo, inclusive de US$ 50, "para conseguir um compromisso decente para os membros".

Em uma conferência sobre as perspectivas de consumo energético em 2009 o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, afirmou que é necessária maior vontade política e compromisso financeiro para o gasoduto de Nabucco.

A construção do gasoduto de Nabucco é uma das ações prioritárias da União Europeia (UE) para reduzir sua dependência da Rússia.

Esta dependência foi colocada em evidência no início deste mês com a crise do gás entre Rússia e Ucrânia por causa da disputa pelos preços, que interrompeu o fornecimento de gás russo para a Europa.

O gasoduto de Nabucco - de 3.300 quilômetros de comprimento - permite o transporte de gás da Ásia Central e do mar Cáspio em direção à Europa sem passar por território russo, e seu traçado passa pelo solo georgiano.

Aliyev acrescentou que o Azerbaijão, que seria o maior fornecedor de gás para este gasoduto, prevê duplicar sua produção de gás nos próximos cinco anos.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, propôs ontem "começar a estabelecer um novo marco legal internacional para a segurança da energia".

"A implementação de nossa iniciativa poderia ter uma importância política comparável ao estabelecimento do Tratado Europeu do Carvão e do Aço", pois os consumidores e produtores estariam reunidos em uma colaboração de energia real e única.

Putin defendeu em Davos que os projetos South Stream e North Stream, Gasoduto da Europa do Sul e do Norte, respectivamente, são necessários para a segurança energética da Europa.

Estes gasodutos permitem que a Rússia forneça gás diretamente para a Europa, abaixo do Mar Negro e do Mar Báltico.

O gás da Rússia entra na Europa principalmente por três grandes sistemas de gasodutos, o maior dos quais passa pela Ucrânia, o segundo pela Belarus e o terceiro pela Turquia. EFE aia/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.