O secretário-geral da Opep, Abdallah el Badri, disse nesta quinta-feira em Londres que o cartel tomará a decisão de aumentar a produção em dezembro se houver uma resposta positiva às condições citadas por ele.

"Se os preços continuarem altos, se virmos que a reservas voltaram ao nível normal, se virmos um verdadeiro crescimento da economia mundial, tenho certeza que nossos países membros decidirão aumentar a produção na próxima reunião do cartel prevista para 22 de dezembro em Angola, advertiu, acrescentando que "não hesitariam" em tomar esta decisão.

O preço do petróleo nesta quinta-feira variava em torno dos 80 dólares, o máximo em um ano.

Caso contrário, a Opep não deve aumentar a produção. El Badri afirmou também que o cartel está preocupado com as zonas obscuras da economia mundial, como o desemprego elevado na Europa e nos EUA e a dimensão dos déficits públicos.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reexaminará suas cotas de produção no dia 22 de dezembro em Luanda, a capital de Angola. Desde 1 de janeiro, estão fixadas em 24,84 milhões de barris diários (mbd).

No final de 2008, a OPEP se comprometeu a retirar do mercado 4,2 mbd para enfrentar a queda da demanda e o naufrágio dos preços, com o petróleo negociado, em média, a 32,40 dólares.

"Reagiamos a tempo" e "estabilizamos os preços" que, sem uma ação, poderiam ter caído "para cerca de 20 dólares", expressou El Badri.

Desde dezembro, os preços do petróleo não pararam de subir, uma situação que preocupa os países consumidores, considerando que a economia mundial poderia ver-se penalizada por preços muito elevados e não suportaria outro aumento, como o do verão no Hemisfério Norte de 2008, quando alcançou os 150 dólares.

"Ficaríamos mais tranquilos se o setor privado desempenhasse um papel mais importante na reativação", destacou.

Sobre a possibilidade de o dólar deixar der ser usado nas transações de petróleo, Badri respondeu: "A decisão de passar de uma moeda a outra não é fácil, devido ao comércio internacional, por causa das reservas (monetárias) que os países da Opep possuem".

"Se (os países da Opep) quiserem mudar, a única moeda que pode absorver (esta transição) é o euro. Mas o euro não domina suficientemente o comércio mundial para que isto possa acontecer", precisou.

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