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Opep faz corte recorde na produção. E preço ainda cai

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou ontem um corte histórico de 2,2 milhões de barris diários em sua cota de produção, volume superior à produção brasileira de petróleo, na casa dos 1,9 milhão de barris por dia. A medida vale a partir de 1º de janeiro, e o cartel deve diminuir sua parcela oficial de produção até 24,845 milhões de barris diários.

Agência Estado |

É o maior corte feito de uma só vez pela Opep, superior à marca de março de 1999, quando o barril caiu a menos de US$ 10. A mensagem, aliada a reduções da Rússia e Azerbaijão, deve fazer a oferta mundial da commodity cair 3,25%.

A 151ª conferência ministerial da Opep terminou com a decisão, cujo objetivo é aumentar os preços internacionais do petróleo. Os países-membros que participam do sistema de cotas se comprometeram a "assegurar que sua produção será reduzida nas quantidades individuais pactuadas" para cumprir com a cota rebaixada em 8,05%.

Para isso, cada país deverá bombear 14,46% a menos que em setembro, antes de entrar em vigor a redução de 0,5 milhão de barris diários estipulada naquele mês e a de 1,5 milhão de barris diários de 24 de outubro. Os ministros tomaram como base de cálculo a produção real de setembro, de 29,04 milhões de barris diários. A redução decidida ontem superou a expectativa do mercado, que esperava um corte máximo de 2 milhões de barris diários.

Moscou enviou à reunião uma delegação de alto nível, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Igor Sechin. Ele anunciou que o barateamento do petróleo provocou queda de cerca de 320 mil barris diários nas exportações das petrolíferas russas. Já o Azerbaijão prometeu que vai retirar do mercado outros 300 mil barris diários.

"O impacto da grave queda da economia global levou a uma destruição da demanda (petrolífera) com o resultado de uma pressão em baixa sem precedentes sobre os preços, que caíram mais de US$ 90 por barril desde o início de julho de 2008", destacaram os ministros da Opep em sua declaração final.

Eles advertiram ainda sobre o risco de que os preços continuem a cair e ameacem os investimentos necessários para garantir a segurança energética no médio e longo prazos.

O presidente em exercício da organização e ministro da Energia da Argélia, Chakib Khelil, não descartou a possibilidade de que o corte decidido ontem seja insuficiente. Espera-se uma queda da demanda mundial de petróleo nos próximos dois trimestres, que vai dependerá de fatores incertos, como a evolução econômica e o clima.

"Estamos em uma situação de muita deterioração (...) e dispostos a aplicar outras reduções, se for necessário", disse Khelil em entrevista após a reunião. O presidente em fim de mandato da Opep não quis dizer se estava satisfeito com as contribuições da Rússia e do Azerbaijão, mas expressou seu desejo de que "os países não-Opep contribuam tanto como os países da Opep" para reduzir a oferta, em vez de se limitar "a beneficiar-se o impacto" nos preços provocados pelo corte.

O ministro do Petróleo de Angola, José Maria Botelho de Vasconcelos, assumirá em 2009 a presidência rotativa do cartel. A reunião de ontem foi a última com a participação da Indonésia, que abandonou a organização por ter se transformado em importador líquido de petróleo.

Apesar do corte decidido pela Opep, os contratos futuros de petróleo caíram ontem a menos de US$ 40 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex) e na ICE Futures, antes de fecharem no nível mais baixo dos últimos quatro anos e meio.

Na Nymex, os contratos de petróleo para janeiro caíram US$ 3,54, ou 8,12%, para US$ 40,06 por barril - o menor nível desde 13 de julho de 2004. Incluindo as transações do sistema eletrônico Globex, a mínima foi de US$ 39,89 e a máxima de US$ 45,50. Na ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para fevereiro cederam US$ 1,12, para US$ 45,53 por barril.

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