Viena, 13 jan (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou hoje em Viena que não hesitará em continuar reduzindo sua produção na próxima reunião de março se, em um futuro próximo, houver um excesso de oferta nos mercados internacionais.

"Se o mercado continuar com excesso de produção (até 15 de março), a conferência (da Opep) não hesitará em tomar novas medidas para equilibrar o mercado", afirmou o secretário-geral do cartel, Abdullah Salem el-Badri, em entrevista a um boletim da organização.

Ele acrescentou que apenas em 15 de fevereiro a Opep poderá determinar se os recentes cortes de produção estão afetando os preços.

Por enquanto, os efeitos não foram os desejados pelo cartel, já que os preços continuaram descendo, apesar dos três cortes de produção aplicados na segunda metade do ano passado.

Em menos de seis meses, o petróleo sofreu desvalorização de cerca de 70%, ao passar de US$ 147 para em torno de US$ 40.

"Dos dados que estamos recebendo, os dois primeiros cortes (em setembro e outubro, com um total de 2 milhões de barris diários) se cumprem 100%", disse Badri.

Em sua última reunião ministerial, em Oran, na Argélia, em 17 de dezembro, os ministros do cartel decidiram cortar a produção em outros 2,2 milhões de barris diários a partir de 1º de janeiro, com o que o grupo passa a uma parcela de produção total de 24,8 milhões de barris diários.

"Espero que, até 15 de fevereiro, o cumprimento (do último corte) alcance um elevado percentual", destacou o secretário-geral.

Por outra parte, o secretário-geral disse que países produtores de petróleo não membros do cartel, como Rússia, Noruega ou México, podem ajudar a estabilizar o preço "ao cortar sua produção para assegurar que o mercado não esteja com excesso".

"Um excesso de petróleo não é de interesse de ninguém", ressaltou o responsável do cartel, com sede em Viena.

"Isso só afetaria os preços e, com eles, os futuros investimentos no setor e causará no futuro uma oferta ajustada, o que impulsionará os preços em alta", disse Badri.

Os analistas coincidem em que a grave crise das economias consumidoras de petróleo na Europa e nos Estados Unidos repercutirá negativamente na demanda por combustível.

O preço de petróleo nos mercados internacionais está em baixa após um curto período de alta nos primeiros dias do ano, quando a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza e o corte da provisão de gás russo à Europa impulsionaram em alta os preços. EFE jk/db

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