Os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiram reduzir nesta sexta-feira a produção do cartel em 1,5 milhão de barris diários (mbd) a partir de novembro, em uma reunião de emergência em Viena que eram muito aguardada pelos mercados e investidores.

O corte entrará em vigor em novembro para frear o "dramático colapso dos preços", informou o presidente da Opep, Shakib Khelil, que também é ministro do Petróleo da Argélia.

O corte significa que a Opep reduzirá sua produção de 28,8 mbd a 27,3 mbd, para responder a previsões de queda da demanda, provocada pela recessão que afeta vários países da Europa e se aproxima dos Estados Unidos e de outros países ao redor do planeta.

O corte de 1,5 mbd representa um compromisso entre os "radicais" do cartel, liderados pelo Irã, que desejavam um corte de 2 mbd, e os países mais moderados do Golfo, liderados pela Arábia Saudita, cuja postura cautelosa responde ao que parece a pressões de Washington.

"Foi uma decisão pragmática", disse Khelil, antes de explicar que, em termos reais, a diminuição será maior do que 1,5 mbd, chegando a quase 1,8 mbd, já que 300.000 bd já seriam retirados do mercado.

A reunião da Opep estava programada para novembro, mas foi antecipada em três semanas para tentar interromper a tendência de queda dos preços, que perderam mais da metade do valor desde julho, caindo da cotação recorde de 147,50 dólares a US$ 65 esta semana.

No entanto, o anúncio provocou uma queda inicial e imediata dos preços do petróleo nos mercados de Londres e Nova York, justamente o contrário do que a Opep buscava ao antecipar o encontro.

Minutos depois do fim da reunião, o preço do petróleo negociado em Londres, o Brent, era vendido a 61,08 dólares. Em Nova York o West Texas Intermediate também registrava queda, negociado a US$ 63,05.

Khelil descartou que o corte da Opep vá afetar negativamente a economia mundial e atribuiu a crise mundial a uma administração ruim da economia pelos governantes das grandes potências.

"Os preços do petróleo foram altos ao longo de 2007 e não tiveram impacto nem na inflação nem no crescimento econômico", afirmou.

"A crise e a recessão não têm nada a ver com os preços do petróleo, e sim à má administração da economia e à crise do crédito, que começou em 2007 nos Estados Unidos", completou.

A Opep decidiu ainda não adotar uma faixa para equilibrar o preço do barril. A Venezuela anunciara na quinta-feira que criaria uma faixa de entre 80 a 100 dólares o barril.

"Não haverá faixa de preços. Como disse antes, os preços serão determinados pelo mercado", afirmou Khelil.

O presidente do cartel pediu ainda que outros países produtores que não integram a Opep contribuam na redução da oferta, para estabilizar os preços.

"Os países não membros da Opep devem contribuir para reduzir a oferta de petróleo, para estabilizar os preços do barril", afirmou Khelil.

ame-js/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.