O Brasil é dependente hoje das importações de bens tecnológicos para atender à demanda no País por celulares e Internet

selo

O Brasil é dependente hoje das importações de bens tecnológicos para atender à demanda no País por celulares e Internet. Dados publicados pela ONU mostram que o Brasil não conseguiu nos últimos dez anos se inserir como exportador no mercado bilionário de tecnologia da informação (TI), como fizeram mais de 20 países emergentes. Desde 2008, o comércio de bens de tecnologia de comunicação já superou os lucros mundiais do setor automotivo e as exportações já movimentam duas vezes mais recursos que a agricultura. Segundo o levantamento da ONU, o Brasil importou em 2009 mais de US$ 20,5 bilhões em produtos relacionados à tecnologia da informação. No mesmo ano, exportou apenas US$ 3,6 bilhões e não figura nem na lista dos 20 maiores vendedores entre os países em desenvolvimento. O valor é ainda uma fração insignificante dos mais de US$ 1,9 trilhão em exportações no mundo envolvendo o setor. No volume total de importações, os bens de tecnologia já representam 11,9% de tudo que entra por ano no Brasil. Já entre as exportações, o setor representa apenas 1,8%. A constatação da ONU é de que, de fato, o mercado de bens de tecnologia da informação está concentrado apenas alguns países. China, Estados Unidos, Hong Kong, Japão e Cingapura são responsáveis por mais da metade das vendas mundiais do setor. Hoje, a ¿?sia exporta mais de US$ 1 trilhão por ano no setor e, salvo o México, os 20 maiores exportadores de bens de comunicação nos países emergentes estão no continente asiático. A China é o principal destaque e representa mais de 20% das vendas mundiais. O volume é 2,5 vezes o que os EStados Unidos exportam, cerca de US$ 430 bilhões. Se Hong Kong for incluído no cálculo, o valor chega a mais de US$ 600 bilhões. Já as vendas americanas são de US$ 174 bilhões. Mesmo no México, os número são bastante diferentes do que a ONU apresenta sobre o Brasil. No mesmo período, o país importou US$ 59 bilhões em bens de comunicação. Mas exportou US$ 61 bilhões. No Costa Rica, sede de uma das fábricas da Intel, o país registrou importações de US$ 2,9 bilhões, mas exportou US$ 2,2 bilhões. Um dos resultados do levantamento mostrou que países que apostaram no setor de tecnologia têm tido bons desempenhos na redução da pobreza. Segundo o estudo, os salários médios dos trabalhadores do setor de bens de comunicação em 30 países em desenvolvimento seriam 25% superior à média nacional. Na ¿?ndia, essa diferença chega a mais de 60%. Na China, os trabalhadores rurais que foram trabalhar no setor nas grandes cidades teriam enviado a seus familiares no interior entre US$ 28 bilhões e US$ 48 bilhões, apenas em 2008. O volume de dinheiro teria promovido uma diferença substancial no padrão de vida de cidades inteiras no campo. Nos últimos dez anos, 25 milhões de chineses saíram de zonas rurais para trabalhar no setor de bens de comunicação. Nas Filipinas, 22% da mão de obra do país no setor industrial encontrou empregos nas indústrias de tecnologia da informação. Hoje, o país exporta US$ 27 bilhões em produtos do setor, nove vezes mais que o Brasil, onde apenas 3% dos trabalhadores estão no setor. As empresas de bens de tecnologia, porém, representam mais de 12% do mercado de valor adicionado no País. Para a ONU, porém, o desafio ainda é o de garantir que empresas locais estejam conectadas. O Brasil, a taxa é relativamente alta. Mas ainda não chega aos índices dos países mais avançados. 56% das empresas nacionais com dez ou mais empregados tinham um website em 2008, 41% recebiam pedidos pela Internet e 46% compravam pela rede de computadores. No Japão, 89% das empresas têm um website e a taxa chega a 90% na Suíça. Na China, porém, apenas 11% das empresas tinham um website.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.