O crescimento mundial pode diminuir e ficar em torno de 1% em 2009, ou seja a metade do previsto para o acumulado de 2008, advertiu nesta quinta-feira o economista chefe da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Heiner Flassbeck.

Em seu relatório anual mais recente, a Unctad indicou que, no segundo semestre deste ano, a economia mundial já estava "à beira da recessão", devido ao impacto da crise financeira, à disparada dos preços das matérias-primas e à grande volatilidade da taxa de câmbio.

Mas a agência da ONU também alertou contra a tendência de superestimar o problema da inflação, dizendo que o uso das taxas de juros para combater a inflação pode ser contraproducente.

Assim, recomendou moderar os aumentos salariais para prevenir uma espiral de custos, e uma maior coordenação entre os bancos centrais na hora de tomar uma decisão sobre as taxas de juros.

A agência da ONU destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial diminuirá este ano 1% em relação ao ano anterior.

"Poderá inclusive cair ainda mais se a situação piorar na segunda metade do ano", indicou o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi.

Para 2009, o economista chefe da Unctad, Heiner Flassbeck, prevê que o "crescimento mundial baixará de 2,9% em 2008 para 1% ou 1,5%".

"A turbulência financeira, a alta dos preços das matérias-primas e o enorme vai-e-vem da taxa de câmbio estão tendo um impacto gigantesco sobre a economia mundial e tornam obscuras as perspectivas para 2009", destacou o relatório.

A Unctad também foi dura ao comentar o sistema financeiro, "destacando que um sistema que sofre uma crise severa a cada três anos deve ter falhas profundas".

"A recente crise mostrou mais uma vez que a disciplina do mercado por si só não é efetiva para impedir episódios recorrentes de 'exuberância irracional' e que o mercado não pode lidar com baixas em massa dos preços dos ativos financeiros", afirmou.

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