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OMC retoma negociações agrícolas, mas percurso é difícil

Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial do Comércio (OMC) retomou na quinta-feira as negociações agrícolas da Rodada de Doha, mas diplomatas comentam que será difícil resolver as diferenças após a fracassada reunião ministerial de julho.

Reuters |

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, espera aproveitar alguns avanços daquela reunião, na esperança de resolver as questões agrícolas e industriais da Rodada de Doha até o final do ano.

A teoria é de que a abertura de mercados em agricultura reduzirá distorções comerciais e a volatilidade dos preços, ampliando a produção e melhorando a segurança alimentar do mundo.

Mas alguns países em desenvolvimento temem que uma excessiva liberalização comercial ameace a subsistência de seus agricultores pobres, ao expô-los à competição global.

"A (mini-reunião) ministerial de julho aqui em Genebra resultou em um tremendo progresso em muitas áreas dessas negociações. Vamos continuar trabalhando para preencher as lacunas e alcançar um sucesso na Doha", disse David Miller, o negociador norte-americano de questões agrícolas.

Mas o embaixador indiano na OMC, Ujal Singh Bhatia, disse que as negociações agrícolas vão além da redução de subsídios e tarifas e da integração da agricultura às regras comerciais mundiais.

"A agricultura não é como os outros setores. Há bilhões de pessoas que são pobres e agricultoras. E há questões de segurança alimentar que envolvem toda a população mundial", disse Bhatia em um fórum público da OMC. "Não se pode, portanto, tratar a agricultura apenas da perspectiva do acesso a mercados."

A reunião de julho fracassou por causa de um confronto entre EUA e Índia em torno de uma proposta na negociação agrícola --a criação de um "mecanismo especial de salvaguardas" para proteger pequenos produtores contra surtos de importação.

Os EUA e alguns países em desenvolvimento que são exportadores de alimentos temem que essa cláusula possa impedir novas oportunidades de exportações.

A Índia e outros grandes países em desenvolvimento afirmam que seus produtores precisam de uma salvaguarda que vá responder rapidamente a um aumento nas importações, se necessário elevando as tarifas temporariamente acima dos níveis "pré-Doha".

Sete potências econômicas voltaram a se encontrar neste mês e não conseguiram avançar nessa questão, que deve dominar a nova etapa.

"Não estamos falando em arrumar um ou dois números aqui e ali. Estamos falando em toda uma abordagem filosófica quanto a esta questão, e a não ser que encontremos uma solução que abranja todas essas preocupações...acho que não encontraremos uma solução", disse Bhatia.

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