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Após as negociações entre as 35 delegações convidadas para discutir a Rodada Doha não terem apresentado progresso, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, concentrou seus esforços em tentar chegar a um consenso com um grupo de sete países líderes em comércio global. Brasil, Estados Unidos, Japão, Índia, Austrália, União Européia e China - grupo chamado de G6+1 - estiveram envolvidos nas discussões, que aconteceram na madrugada desta quinta-feira.

A reunião, entretanto, não resultou em progressos suficientes para garantir um acordo de liberalização no comércio mundial, segundo declararam representantes dos países que participaram do encontro, e causou protesto entre outros países que estão em Genebra.

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou que a situação é fluida e que "não há ainda equilíbrio". O Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, disse que as negociações foram tensas.

A delegação suíça convocou outras sete nações - Argentina, Quênia, Mauritânia, Indonésia, Turquia, Egito e Taiwan - para protestarem contra o novo formato de negociação adotado por Lamy. "Fomos simplesmente colocados na sala de espera - o que me causa problemas domesticamente e muitos dos colegas do G-10 estão na mesma situação", disse indignada a ministra da Economia da Suíça, Doris Leuthard, que liderou o protesto.

Os países discutiram acesso a mercados não agrícolas e agrícolas e subsídios agrícolas aplicados de forma indireta. Lamy orientou os países a discutir números para subsídios futuros e níveis de tarifa dentro das margens propostas no esboço do acordo, que serve de base para as discussões, e que chegassem a um consenso.

Em seu blog, Mandelson descreveu o encontro da madrugada: "Foram quase 12 horas de negociações intensas, algumas das mais difíceis e de confrontação que já presenciei desde que sou comissário europeu. "Estamos finalmente atendendo as questões problemáticas. Todos sabem disso, e a atmosfera está tensa, escreveu ele.

O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, afirmou que houve "progresso em produtos sensíveis, redução de tarifas, mas ainda há muito a fazer. Representantes de 35 países estão em Genebra desde a segunda-feira, para destravar as negociações da Rodada Doha, de comércio multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Já a representante de comércio dos EUA, Susan Schwab, foi mais reticente, dizendo que houve apenas algum progresso, enquanto saía rapidamente do local da reunião. Os Estados Unidos e a União Européia fizeram, respectivamente, ofertas esta semana para reduzir subsídios e tarifas agrícolas, e agora esperam propostas dos países em desenvolvimento para que abram seus mercados para produtos industriais.

Na terça-feira, os EUA ofereceram reduzir os subsídios agrícolas anuais para US$ 15 bilhões (a proposta anterior era redução para US$ 17 bilhões). O ministro indiano elogiou o movimento, mas ainda o considerou inadequado. Nath também não deu sinais de que faria ofertas quanto ao setor industrial, mas afirmou que faria uma boa oferta quanto ao setor de serviços, que é o componente final das discussões.

A falta de flexibilidade demonstrada por Nath em relação ao setor industrial gerou críticas por parte da porta-voz da delegação norte-americana, Gretchen Hamel. Se os países emergentes não contribuírem, essa não será uma verdadeira rodada de desenvolvimento.

Ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em Brasília, que as discussões fracassarão a menos que EUA e UE façam concessões maiores. Se não houver redução efetiva dos subsídios dos EUA, e não houver flexibilização no mercado agrícola europeu, não haverá acordo, disse ele. Nesse caso, disse Lula, cada um terá que assumir suas responsabilidades, e cada um terá que colher o que plantou. As informações são da Dow Jones.

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