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Por Jonathan Lynn GENEBRA, Suíça (Reuters) - Os mediadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentaram nesta quinta-feira novos textos de negociação que servirão de base para um projeto de acordo da Rodada de Doha, disseram autoridades do setor.

Esses textos serão usados quando os ministros do Comércio de vários países reunirem-se em Genebra, na semana do dia 21 de julho, para definir as linhas gerais do acordo de Doha. A rodada de negociações iniciou-se em novembro de 2001, na capital do Catar, e tem por objetivo abrir o comércio mundial.

'Esses textos revisados abrem caminho para um momento decisivo na Rodada de Doha', disse o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.

'Um acordo para abrir o comércio em agricultura e bens industriais significa mais crescimento, perspectivas melhores para desenvolvimento e um sistema de comércio mais estável e previsível. Não podemos deixar essa oportunidade escorregar pelas mãos', completou ele em um comunicado.

Lamy convocou a reunião, que representa a última oportunidade para se atingir um acordo antes de janeiro de 2009, quando um novo presidente toma posse nos EUA. A subida ao poder de um novo líder norte-americano poderia significar colocar as negociações em banho-maria durante anos.

Especialistas em questões comerciais afirmam ser necessário firmar o acordo para responder às pressões protecionistas que ameaçam o desenvolvimento e que significariam um tiro no pé para a economia mundial.

O objetivo é rescrever as regras do comércio mundial, codificadas pela última vez em 1994, para o século 21 e acabar com distorções que, segundo os países em desenvolvimento, os prejudicam.

Um acordo sobre os produtos agropecuários e industrializados -- a parte mais delicada do processo -- poderia abrir caminho para acordos em outros setores, como o de serviços.

Um acordo poderia fazer com que países como os EUA, o Japão e os membros da União Européia (UE) abram seus mercados de produtos alimentícios ao reduzir a proteção concedida a seus próprios agricultores.

Em troca, teriam maior acesso aos mercados de produtos industrializados e de serviços nos países em desenvolvimento, em especial em economias emergentes como a Índia, o Brasil, a China e a África do Sul.

Após um projeto de acordo acertado pelos ministros de Comércio seriam realizados meses de trabalho para detalhar o documento antes de se poder assinar um documento final.