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OMC convoca também o BNDES para discutir crédito

GENEBRA - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um dos bancos convidados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para uma grande reunião visando encontrar soluções à retração do financiamento às exportações. O banco brasileiro foi chamado juntamente com Citigroup, Commerzbank, Royal Bank of Scotland (RBS), JP Morgan e HSBC, além de bancos regionais de desenvolvimento e organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Valor Online |

Pascal Lamy, diretor da OMC, decidiu reunir grandes bancos e outros fornecedores de crédito no dia 12 de novembro, diante da ameaça de a falta de financiamento sufocar o comércio global. Ele anunciou esta manhã a reunião, antecipada pelo Valor.

O Brasil foi o primeiro país a puxar o sinal de alarme para a dificuldade de financiar exportações. Esta semana, pediu para Lamy agir porque os grandes bancos internacionais enxugaram o crédito de curto prazo (90 dias), apesar dos países em desenvolvimento estarem entre os melhores pagadores.

Fontes da OMC argumentam que Lamy quer juntar presidentes de grandes bancos comerciais internacionais, dos bancos regionais de desenvolvimento e representação das agências governamentais de crédito a exportação e importação, e que não dá para compatibilizar a agenda de todo mundo rapidamente.

A ? ? impressão ? ? preliminar da OMC é de que os bancos têm muitos recursos para financiar o comércio. O problema é o acesso a esse dinheiro, porque o custo subiu dramaticamente, e nem todos os exportadores são capazes de pagá-lo.

Fontes do mercado confirmam que há liquidez, mas os contratos agora cobrados dos exportadores estão 300 pontos base mais altos, ou seja, três vezes mais do que a taxa cobrada há um ano.

A OMC constata que a turbulência atual repete a situação preocupante da crise asiática dos anos 90, quando as primeiras linhas de crédito cortadas pelos bancos foram para exportações e importações.

Na época, a entidade teve que acionar o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) na busca de soluções.

Pascal Lamy, que já foi executivo de banco francês, em abril deste ano organizou uma ? ? mesa-redonda ? ? com bancos privados, bancos de desenvolvimento e agências de crédito, quando começou a explorar as questões de financiamento comercial.

Só que o aperto de crédito se faz sentir cada vez mais. O comércio internacional alcançou US$ 14 trilhões no ano passado, e 95% das transações são feitas com financiamento, grande parte pela banca privada.

A OMC insiste que seu papel não é de resolver questão de financiamento, mas admite que precisa agir inclusive porque crédito é também ? ? facilitação de comércio ? ? , um dos temas centrais na sua agenda.

As agências governamentais de crédito serão representadas por sua associação, a Berne Union. Essas agências, incluindo a Hermes alemã e o Eximbank dos Estados Unidos, financiam US$ 1 trilhão do comércio internacional, anualmente.

Em documento aos outros 152 países da OMC, esta semana, o Brasil, pela primeira vez, se posicionou publicamente contra a total implementação do Acordo de Basiléia II, também por causa do impacto no comércio.

Por esse acordo, os bancos terão de manter mais capital em proporção do risco dos ativos. Só que, no atual clima de instabilidade financeira, suas regras podem ter efeitos ainda mais negativos no fluxo do comércio global, ao invés de aumentar a estabilidade do sistema financeiro, na avaliação brasileira.

Depois da reunião de 12 de novembro, a OMC fixará a reunião do Grupo de Trabalho sobre Comércio, Dívida e Finanças, desta vez com todos seus países membros.

(Assis Moreira | Valor Econômico para o Valor Online)

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