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OMC avança em direção a acordo, mas ainda há resistência

As negociações da Rodada de Doha registraram nesta sexta-feira progressos importantes, pela primeira vez em sete anos, mas alguns países emergentes, como Índia e Argentina, mantêm fortes objeções ao pacto proposto.

AFP |

Estados Unidos, União Européia e Brasil manifestaram sua esperança de que a Rodada de Doha, lançada em 2001 pela Organização Mundial do Comércio (OMC) com o objetivo de ser concluída em 2004, tenha finalmente êxito.

O Brasil pediu o total respeito às propostas apresentadas pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, para conciliar os interesses dos países do Norte e do Sul.

O entusiasmo do Brasil contrastou com a posição de Índia e Argentina, reticentes à proposta dos países desenvolvidos.

O chanceler Celso Amorim disse que o Brasil aceitou a série de medidas apresentadas por Pascal Lamy e qualificou de "grande passo" na direção de um acordo as discussões de hoje em Genebra.

"O Brasil é o primeiro país a aceitar o texto de Pascal Lamy", declarou o ministro brasileiro, ao término de uma reunião dos ministros das sete maiores potências comerciais (Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão, Austrália e China), ampliada em seguida aos ministros de outros 30 países.

"Considero que demos um grande passo hoje, mas não um passo completo, porque um dos membros do G-7 ainda não concorda com o pacote de medidas" apresentado por Lamy, destacou o chanceler, sem revelar o nome do país.

De acordo com uma fonte diplomática, a Índia foi a principal voz dissonante nesta reunião, destinada a salvar a rodada de Doha.

Existe uma "convergência" no G-7 "sobre vários números centrais para a agricultura e para os produtos industrializados", disse Amorim, acrescentando que "minha opinião sobre as chances de chegar a um acordo passaram de 50% para 65%".

O comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, também manifestou seu otimismo sobre um possível acordo na OMC: "penso que a situação parece boa. Penso que, agora, podemos nos sentir muito esperançosos".

"O que está emergindo é um acordo que não é perfeito, não é magnífico, mas é bom para a economia global e bom para o desenvolvimento", acrescentou.

Já a representante americana para o Comércio, Susan Schwab, advertiu que um certo número de países emergentes "ameaça" a conclusão do acordo.

"A principal preocupação é que alguns grandes mercados emergentes estão ameaçando esse ciclo de negociações", disse Schwab, após a reunião dos ministros de cerca de 30 países em Genebra.

"Tivemos um dia produtivo. Temos, agora, uma proposta de acordo, mas ainda existem importantes dificuldades", acrescentou.

Ao sair da reunião, o ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, limitou-se a dizer que "não há um acordo", apenas "alguns pontos de consenso".

O chanceler argentino, Jorge Taiana, também foi reticente sobre um acordo: "para nós, esse papel (de Lamy) como está não é aceitável".

Ao ser perguntado sobre se a Argentina estava disposta a carregar o peso de um eventual fracasso das negociações, Taiana respondeu: "estamos negociando e assinalando que queremos um melhor resultado".

Lamy propôs, entre outras coisas, reduzir para 14,5 bilhões de dólares anuais o topo das subvenções autorizadas anualmente pelos Estados Unidos a seus agricultores. A última proposta de Schwab era de 15 bilhões.

O comissário propôs ainda que cada país possa retirar da liberalização até 12% de suas linhas tarifárias, contra os 14% previstos na proposta anterior.

js/yw/tt/LR

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