A Organização Mundial do Comércio (OMC) vai se reunir na segunda-feira, pela primeira vez, para avaliar o que ocorreu nos últimos meses desde que a crise financeira eclodiu. O temor já declarado da OMC é de que governos abandonem as regras internacionais e passem a colocar seus interesses sobre qualquer coisa, mesmo que isso custe retaliações.

Isso tudo em um cenário de queda no comércio internacional, a primeira retração desde 1982.

De fato, pesquisas mostram que a lealdade de empresários ao livre comércio é um fenômeno frágil. Segundo a Ernst & Young, 78% das pequenas e médias empresas alemãs apoiam a adoção de "medidas protecionistas" nesse momento para se proteger da recessão. Há um ano, o apoio a essas medidas era de apenas 43%.

Em um relatório preliminar, a OMC admite que os casos de protecionismo tradicional, com elevação de tarifas, foram limitados até agora. Mas a realidade é que a nova forma de protecionismo ganhou instrumentos, algumas vezes até mais poderosos e distorcidos que a simples elevação de tarifas a importação.

Nos EUA, o presidente Barack Obama lançou um pacote dando preferência a produtos nacionais. O problema é que a proposta vai contra o que a Casa Branca por anos defendeu com unhas, dentes e retaliações. Há um ano, os EUA levaram a China a julgamento na OMC porque Pequim estaria exigindo de suas empresas de veículos que mais de 60% dos carros fossem montados com peças ou produtos nacionais.

"Há uma regressão", admitiu Charles Dallara, diretor do Instituto de Finanças Internacionais. "A recessão é tão profunda que há o risco de que governos não percebam mais os benefícios da globalização e comecem a questionar esse modelo."

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