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Lisboa, 10 fev (EFE).- Os investimentos públicos e a assistência social são as principais receitas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para os graves efeitos da crise econômica mundial sobre o emprego.

Segundo um relatório apresentado na 8ª Reunião Regional Europeia da organização, que começou hoje em Lisboa, é preciso um grande esforço dos Estados e dos agentes econômicos para minimizar as consequências sociais do colapso da economia.

Na reunião da OIT, da qual participam representantes de organismos governamentais e trabalhistas de toda a Europa, serão realizados, até sexta-feira, diversos debates e reuniões focados em buscar respostas ao forte aumento do desemprego previsto para este ano no velho continente.

Restaurar o crescimento econômico e torná-lo menos instável é, de acordo com a OIT, um dos principais caminhos para a superação dos problemas trabalhistas desencadeados por uma crise que começou sendo financeira e já é social.

Em seu relatório, a organização destaca que os impactos negativos sobre as empresas e o emprego crescem de modo alarmante, numa espiral que, segundo suas previsões, provocará a perda de oito milhões de empregos nas nações européias durante este ano, a metade deles na UE.

Além de pedir uma resposta política à crise econômica, a organização defende condições de trabalho dignas e que os setores mais vulneráveis do mercado contem com a devida assistência do Estado.

As pequenas e médias empresas, recomenda a OIT, devem dispor de um financiamento que lhes permita prosseguir com suas atividades, para o que é necessário que os bancos mantenham os fluxos de crédito nos níveis de antes da crise.

A promoção do emprego, a assistência social e a manutenção dos direitos fundamentais dos trabalhadores são as chaves de um novo marco econômico mundial, defendeu a organização em seu documento.

Os Governos europeus precisam, além disso, coordenar e elaborar um conjunto de políticas fiscais orientadas a interromper a desaceleração e a estimular o crescimento, para o que também é imprescindível reativar as linhas de crédito congeladas a empresas e consumidores.

Para impulsionar essas políticas, a OIT recomenda uma ação coordenada em toda a Europa, que abranja a UE e os países da ex-União Soviética atualmente agrupados na Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional e da UE reunidos pela organização, a reativação da economia exigirá um investimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco.

Ainda segundo a OIT, as consequências da crise financeira nos mercados de trabalho já são visíveis.

Pela primeira vez desde 1990, se inverteu a tendência de diminuição do desemprego que era registrada na Europa Central, do sudeste do continente e nos países da CEI.

Na UE, o panorama não é menos preocupante: o desemprego em 2009 chegará a 8,7% da população ativa, e, em 2010, talvez alcance 9,5%.

O cenário também se agrava para muitos países que não chegaram a esta situação em pé de igualdade, já que os níveis de desemprego antes da crise já eram muito diferentes. EFE arm/sc