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OIT prevê tempos difíceis e queda nos salários em 2009

(Embargada até 21h em Brasília) Genebra, 25 nov (EFE).- O futuro imediato trará momentos difíceis para muitos trabalhadores, que verão seus salários reais caírem em 2009 devido ao crescimento lento ou negativo da economia e por causa da instabilidade dos preços.

EFE |

Esta é a principal conclusão do Relatório Mundial de Salários 2008-2009, apresentado hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que pede aos Governos mundiais que protejam o poder aquisitivo dos cidadãos.

O estudo também confirma que o crescimento dos salários não acompanhou o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) na última década.

As primeiras previsões do relatório - baseado nos dados publicados em outubro pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) - previam crescimento máximo dos salários de 0,1% nos países industrializados e 1,7% em nível mundial.

No entanto, a crise obrigou a revisão dessas estimativas depois da preparação do relatório, e com base nos dados de novembro, "os salários reais em 2009 cairão 0,5% nos países industrializados e crescerão apenas 1,1% no mundo", disse em coletiva de imprensa a chefe do Programa de Condições de Trabalho e Emprego da OIT, Manuela Tomei.

O crescimento de 1,1% dos salários mundiais "se deverá a que as economias emergentes ainda continuarão crescendo, mas mais lentamente", destacou a especialista.

O relatório ressalta que os mais afetados serão os trabalhadores de salários baixos, "as classes médias também serão grandemente afetadas em muitos países".

O estudo analisa o período entre 2001 e 2007, quando os salários médios reais cresceram 1,9% anualmente ou menos na metade de todos os 83 países analisados, onde está concentrada 70% da população mundial.

"Mas esses números escondem grandes diferenças entre regiões e países", disse Tomei.

Nos países industrializados, o crescimento médio dos salários reais foi de 0,9%, e em países como Estados Unidos e Japão, não houve expansão.

Por outro lado, o crescimento das remunerações foi de 10% em Rússia, China e Ucrânia.

Um dos destaques do relatório é que os salários médios cresceram menos que o PIB per capita no período entre 1995 e 2007, e a cada 1% de aumento adicional do PIB, os salários aumentaram apenas 0,75%.

"Isso parece ser uma prova indubitável de que o crescimento dos salários reais está atrasado a respeito do crescimento da produtividade", destaca o relatório da OIT.

Em 70% dos países analisados, "se observou sistematicamente uma tendência descendente da proporção do PIB destinada aos salários em comparação com os lucros das empresas e outras formas de renda".

Em períodos de recessão econômica, os salários também caem em proporção de 1,55% a cada 1% de queda adicional do PIB.

Levando em conta que a maioria dos consumidores é assalariada, Tomei destacou que essas tendências da última década levaram a uma redução da capacidade de consumo, "embora, em alguns países, foi mantida mediante endividamento, mas não com aumento dos salários".

Por tudo isso, a OIT recomenda que os Governos protejam a todo custo o poder aquisitivo dos cidadãos e estimulem o consumo interno.

A OIT sugere três medidas: encorajar os interlocutores sociais a buscar uma maneira de evitar uma redução maior da parte do PIB destinada aos salários a respeito da proporção atribuída aos lucros.

Em segundo lugar, a OIT acredita que os salários mínimos devem ser aumentados sempre que for possível.

Entre 2001 e 2007, os salários mínimos expandiram com média de 5,7% por ano em números reais, embora isso não tenha sido suficiente em alguns países para evitar protestos sociais.

Finalmente, a negociação salarial deveria ser complementada com a intervenção pública, com medidas de apoio à renda, assinala a OIT.

O relatório também conclui que, desde 1995, aumentou a desigualdade entre os salários mais altos e mais baixos em dois terços dos países analisados.

Se as diferenças avançaram com mais rapidez em EUA, Alemanha e Polônia, em países como França e Espanha, essa disparidade diminuiu.

Por outro lado, a diferença da remuneração entre gêneros ainda é elevada, já que as mulheres recebem entre 70% e 90% dos salários ganhados pelos homens. EFE vh/wr/rr

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