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OIT prevê mais 20 milhões de desempregados

GENEBRA - A crise financeira global pode causar o desemprego de 20 milhões de pessoas, afetando mais duramente os setores de construção, automotivo, turismo, finanças, serviços e imobiliário, alertou o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia.

Valor Online |

"Precisamos de ações coordenadas e rápidas de governos para evitar uma crise social que pode ser severa, duradoura e global" , advertiu Somavia.

Mas a projeção da OIT foi feita com base em estimativas antigas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento econômico mundial, que era de 3,2% em 2009. A última projeção do FMI prevê queda ainda maior do crescimento global para 3% ano que vem, depois de 5% em 2007 e de 3,7% previstos para 2008.

Assim, pela projeção antiga do FMI que usou, Somavia calcula que o número de desempregados deve aumentar de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009. Significa alta de 6,4% no total de desempregados no mundo.

A OIT prevê também que o numero de trabalhadores pobres vivendo com menos de US$ 1 por dia pode aumentar em 40 milhões, e aqueles que vivem com US$ 2 diários podem passar dos 100 milhões, ou seja, a pobreza aumentará.

Somavia alertou que todas as projeções podem estar subestimadas, dependendo do tamanho da recessão e da demora para atacar o problema.

"Isso não é simplesmente uma crise em Wall Street, é uma crise em todas as ruas. Precisamos de socorro global para famílias de trabalhadores e para a economia real, com regras e políticas que permitam empregos decentes", afirmou.

O diretor-geral da OIT sugere vincular melhor produtividade a salários e crescimento do emprego. Um estudo da entidade mostrou que o Brasil, por exemplo, registrou consistentemente alta produtividade que não foi acompanhada de elevação salarial.

Ele observou que já bem antes da crise financeira, o mundo já enfrentava uma crise de pobreza, crescente desigualdade social, aumento da economia informal e trabalho precário, "um processo de globalização que trouxe muitos benefícios mas tem sido desequilibrado, injusto e insustentável".

Saindo de sua tradicional discrição, Somavia conclamou os governos a se concentrarem em salvar "pessoas e produção", para salvar a economia real.

Na América Latina, mais da metade dos empregos estão na economia informal, sem proteção social e pagamento 43% inferior a quem tem emprego com carteira assinada. A situação tende a piorar, pelas indicações da entidade.

O diretor-geral da OIT se manifesta agora para tentar influenciar na agenda do encontro de cúpula sobre a crise financeira que os presidentes dos EUA, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy, planejam para novembro, após a eleição presidencial americana.

A restauração do crédito é essencial para evitar demissões, corte de salários, falências. "Temos que voltar a função básica da finança, que é de promover a economia real. Emprestar para os empresários poderem investir, inovar, produção empregos, bens e serviços" , acrescentou.

Somavia defendeu a busca de um novo modelo "sustentável" para a globalização, argumentando que as negociações comerciais estão paralisadas e os mercados financeiros à beira do abismo.

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