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OIT: Número de desempregados no mundo pode chegar a 230 milhões

Marta Hurtado. Genebra, 28 jan (EFE).- A crise econômica mundial poderia deixar mais 50 milhões de pessoas desempregadas em 2009, o que levaria a um total de 230 milhões, alertou hoje a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

EFE |

Este pior é o cenário que prevê a OIT em seu relatório "Tendências Mundiais do Emprego" apresentado hoje em Genebra, no qual indica que o índice de desemprego no mundo poderia ficar em 7,1%, o que provocaria um aumento de 50 milhões de desempregados.

O segundo cenário - que é mais animador - seria de uma taxa de desemprego mundial de 6,5%, o que levaria a 30 milhões de novos desempregados, com um total de 210 milhões.

A OIT tomou como base para fazer seus cálculos as informações de crescimento mundial estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em novembro passado e que indicavam um aumento de 2,2%.

"Infelizmente o primeiro cenário com o qual trabalhávamos foi descartado" - considerando que este número vai ser modificado para baixo hoje -, explicou para a Agência Efe o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Esta primeira previsão situava o índice de desempregados em 6,1%, o que levaria 18 milhões de pessoas ao desemprego, com um total de 198 milhões.

"Devemos ter claro que a atual crise provocará um grande aumento do desemprego, assim como do trabalho em situação de vulnerabilidade", declarou Somavía.

No entanto, ele quis deixar clara sua postura, e afirmou: "Nós dizemos que estas previsões são realistas e não alarmistas, pois podem ou não se concretizar em função das políticas que forem aplicadas por diferentes Governos. Caso sejam tomadas as medidas corretas talvez o pior cenário não se cumpra".

Nesta linha fez um apelo para que os países que fazem parte do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) tomem medidas na questão do emprego na reunião que realizarão em Londres em abril.

"No mesmo tempo em que tomam medidas para lutar contra a queda do sistema financeiro seria necessário que também se estabelecessem mecanismos para lutar contra a pobreza e, especialmente, contra o desemprego que a provoca", declarou Somavía.

"O G20 não se pode concentrar apenas em questões financeiras, tem que estabelecer acordos e olhar para frente em função dos temas das pessoas, que são a proteção e criação de emprego, expansão e aprofundamento de tudo o que tem relação com o diálogo social", acrescentou o diretor-geral da OIT.

Segundo o relatório, realizado por áreas geográficas, as regiões mais afetadas serão Europa Oriental e Central (índice de desemprego que fica entre 9,2% e 9,8%), América Latina e o Sudeste Asiático (índice de 8,1% a 8,3%) e as economias desenvolvidas e a União Europeia (uma taxa de 7,1% a 7,9%).

O relatório não apresenta dados sobre países individualmente "Não nos pareceu pertinente estar projetando potenciais níveis de desemprego individualmente por países. O que nós dizemos é o que vai acontecer globalmente. Em cada país vai depender das políticas que seu Governo colocar em prática", declarou Somavía.

O relatório também indica que o número de trabalhadores pobres - aqueles que não ganham mais do que dois dólares por dia - pode aumentar até alcançar 1,4 bilhão, 45% dos trabalhadores mundiais.

Além disso, caso se cumpram os piores prognósticos, o número de pessoas com empregos em estado de vulnerabilidade alcançará 53% da população ativa mundial.

Em conclusão, e como recomendação final, Somavía afirmou: "Acho que é indispensável se concentrar na proteção e geração de emprego, na expansão e aprofundamento da proteção social, em muito mais uso do diálogo social e, definitivamente, compreender que se requer muita mais coordenação internacional nesta matéria". EFE mh/fal

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