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Oi cancela 269 mil linhas em dezembro

SÃO PAULO - A operadora Oi promoveu, em dezembro, uma limpeza em sua base de assinantes de telefonia móvel que resultou na eliminação de pelo menos 269 mil celulares. Parte significativa dos cortes foi feita na região metropolitana do Recife (19,1% do total de desligamentos), mas também foram registradas baixas em várias cidades do Nordeste, além de Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O Estado de São Paulo, onde a empresa começou a atuar em outubro, ficou aparentemente fora dessa medida.

Valor Online |

É provável que os telefones móveis eliminados fossem pré-pagos que não estavam sendo usados ou linhas de clientes pós-pagos que estavam inadimplentes. Procurada, a Oi não comentou o assunto, alegando que está em período de silêncio por se aproximar a divulgação do balanço do quatro trimestre de 2008.

Desde que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou a prévia das vendas de celulares no mês de dezembro, havia suspeitas de que a Oi tivesse feito uma limpeza. Porém, só foi possível confirmar esse movimento quando o órgão regulador divulgou os dados completos, na última sexta-feira.

O cálculo foi feito pelo Valor com base nas informações sobre o total de telefones móveis em cada um dos códigos de área (DDD) onde a operadora estava presente, em 17 Estados do Sudeste, Nordeste e Norte. Não foram incluídos os dados referentes à Brasil Telecom, cuja aquisição foi completada pela Oi neste mês de janeiro.

É importante destacar que o número de cancelamentos pode ter sido maior que os 268,9 mil que aparecem na análise desses dados. Outros podem ter sido camuflados pela conquista de novos assinantes. Só é possível detectar os cortes nas áreas onde houve redução absoluta na base de clientes.

Outro fator que deve ser observado é que podem ter ocorrido desligamentos voluntários - ou seja, feitos espontaneamente por assinantes da Oi que optaram por trocar de operadora ou simplesmente cancelar os serviços. Isso acontece todos os meses em qualquer empresa de telefonia.

O que indica a limpeza de base, no caso da Oi, é que em algumas cidades houve queda no volume de assinantes - algo raro num mercado e numa companhia que estão em crescimento. Além disso, representantes da empresa confirmaram a alguns analistas de mercado que promoveram esse enxugamento. Contudo, não revelaram o tamanho do corte.

A estratégia da Oi não significa que a operadora não tenha ampliado sua carteira de clientes em dezembro. Se considerados todos os assinantes que conquistou e subtraídos os desligamentos, o saldo ainda ficou positivo em 85 mil.

Mas foi um desempenho inferior ao que a empresa vinha registrando nos meses anteriores. No terceiro trimestre a companhia adicionou mais de 1,5 milhão de clientes - ou seja, acima de 500 mil por mês, em média.

Quando entram na conta de dezembro as vendas feitas pela Brasil Telecom, a combinação das duas operadoras adicionou 351 mil linhas em dezembro e 8,3 milhões ao longo de 2008. Juntas, as empresas tinham 30 milhões de celulares no término do ano.

Os cancelamentos ocorrem após um período de vendas aceleradas para a Oi. A estratégia da operadora é comercializar apenas o chip do celular, e não o aparelho. Dessa forma, a conquista do cliente é mais barata, já que não há subsídios. Por outro lado, o modelo não garante a fidelidade dos assinantes. Muitas vezes, os clientes compram chips de diversas operadoras e usam o que lhes proporciona as melhores condições naquele momento. Como 80% do mercado brasileiro é de celulares pré-pagos, isso acontece com freqüência.

A limpeza promovida pela Oi explica parcialmente a queda apresentada nas adições líquidas de usuários de telefonia móvel no Brasil em dezembro, mês em que foram habilitados 3,6 milhões de linhas de celular, abaixo dos 4,7 milhões contabilizados em igual período de 2007, segundo a Anatel.

Outro fator que contribuiu para a queda foi a desaceleração da TIM, que atraiu 351 mil clientes na campanha de Natal. A operadora diminuiu o ritmo para garantir rentabilidade, segundo relatório do Itaú. Conquistar novos assinantes acarreta custos para as teles e, até setembro, a TIM ainda estava abaixo da meta que havia traçado para sua margem operacional em 2008.

(Talita Moreira | Valor Econômico )

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