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Oferta de trigo importado e colheita no Brasil derrubam preços

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do trigo no mercado brasileiro recuaram cerca de 30 por cento em relação aos picos registrados em maio, agora que o país conta com uma oferta mais abundante do cereal importado e inicia a colheita de uma grande safra, disseram especialistas do setor.

Reuters |

O retorno do trigo da Argentina ao mercado internacional, depois de o país ter limitado vendas externas na maior parte do ano, também colabora para a depreciação do produto nacional, acrescentaram as fontes. Os argentinos são os principais fornecedores do cereal ao Brasil.

A opção dos moinhos pelo trigo importado, considerando ainda que alguns dos primeiros lotes colhidos no Brasil tomaram chuvas e por isso estão com qualidade inferior aos padrões adequados, é outro fator baixista para o produto brasileiro.

'Os moinhos estão abastecidos e sem pressa para comprar...

E tem trigo disponível nos portos para carregar', declarou o corretor Alexandre Maron, da Trigo Branco, no Paraná, o maior Estado produtor brasileiro e referência de mercado.

Segundo o corretor, os negócios domésticos estão praticamente paralisados, uma vez que produtores não se mostram muito interessados em comercializar o grão a valores que, segundo alguns, mal pagam os custos de produção.

O preço do trigo ao produtor paranaense, que chegou a atingir patamares recordes de 700 reais por tonelada em maio deste ano, quando o país estava no pico da entressafra e ainda não havia muita oferta do cereal importado, caiu para atuais 490 reais (queda de 30 por cento), de acordo com dados da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

As altas cotações verificadas em maio obrigaram o governo brasileiro a se mexer, para evitar um maior impacto na inflação. Naquele mês, foi autorizada a isenção de Pis/Cofins para os produtos da cadeia do trigo, além de ter ampliada a cota isenta de tarifa para a importação do produto de origens fora do Mercosul.

PRODUTOR QUER AJUDA

Se as medidas --especialmente a isenção de tarifa para o trigo importado dos Estados Unidos e Canadá-- ajudaram a elevar a oferta do produto e aliviar a pressão inflacionária, agora têm um impacto negativo para o agricultor.

O cotação atual no Paraná está apenas um pouco acima dos 480 reais por tonelada do preço mínimo definido pelo governo federal, e integrantes da cadeia produtiva já pedem medidas governamentais que evitem uma maior desvalorização, até porque a colheita no país só começou recentemente e o volume de trigo argentino no Brasil tende a aumentar.

Entre janeiro e julho, o Brasil importou, segundo o Ministério da Agricultura, 3,8 milhões de toneladas, ante 4,5 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. A maior parte desse volume chegou em janeiro, fevereiro e março, e em abril e maio os desembarques não passaram de 200 mil toneladas, para um consumo mensal no país de aproximadamente 800 mil toneladas.

Em julho, as importações brasileiras já subiram para níveis relativamente normais, de 570 mil toneladas, impulsionadas pela chegada de 420 mil toneladas do produto norte-americano e canadense.

Além do maior volume importado, o Brasil começou a colher uma safra de 5,4 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões de toneladas em 2007. O Paraná já colheu 5 por cento de sua safra estimada em 2,9 milhões de toneladas.

Diante dessa expectativa de colheita maior, o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra, disse que o governo teria de lançar mão, rapidamente, de instrumentos de sustentação de preços, para garantir renda aos agricultores.

'Esse excedente vai prejudicar o produtor que está colhendo agora', disse ele, afirmando ainda que o setor produtivo, que apostou no trigo no embalo dos preços altos, é contra a ampliação do prazo de 31 de agosto para moinhos importarem o cereal fora do Mercosul com isenção de tarifa.

(Edição de Denise Luna)

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