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Oferta de crédito para exportadores volta a cair

O volume de crédito para exportação voltou cair. Números divulgados ontem pelo Banco Central mostram que a média diária na concessão de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) somou US$ 143,1 milhões na segunda semana de dezembro.

Agência Estado |

O valor é 35,6% menor que a média da primeira semana do mês. O ACC é o principal instrumento de crédito que o sistema financeiro oferece para os exportadores.

Com a piora na semana passada, a média diária parcial de ACC em dezembro está em US$ 182,7 milhões. O valor é muito parecido com o volume que havia sido emprestado diariamente em novembro (US$ 184,1 milhões).

Os números mostram que, a despeito das medidas tomadas pelo governo, o mercado de crédito ainda está longe da normalidade. No caso dos exportadores, o principal problema continua sendo a captação de recursos, que normalmente é feita no exterior. Com o agravamento da crise em setembro, essa fonte de recursos secou para os bancos e, sem dólares em caixa, as instituições financeiras reduziram drasticamente a oferta de crédito desde então.

Para tentar amenizar essa situação, o BC começou a oferecer dólares em leilões para o financiamento ao exportador. O último leilão aconteceu no dia 3, quando a autoridade monetária repassou US$ 1,9 bilhão aos bancos. Operações semelhantes foram realizadas nas semanas anteriores.

Essa atuação conseguiu amenizar parte dos problemas. Exportadores dizem, no entanto, que o principal obstáculo é que esses recursos têm sido destinados principalmente para as grandes empresas.

No fim de novembro, o presidente do BC, Henrique Meirelles, admitiu que algumas empresas e segmentos continuavam enfrentando dificuldade para tomar crédito. Na ocasião, ele afirmou que a "a recuperação do mercado é gradual".

O BC também divulgou que o Brasil continua a perder dólares. Em dezembro, US$ 2,1 bilhões já deixaram o País no levantamento preliminar até o dia 12. Como nos meses anteriores, o segmento financeiro - onde são registrados os investimentos e remessas de lucros, entre outras operações - amargou saída de US$ 2,4 bilhões. Esse movimento reflete, por exemplo, a saída de investidores que mantinham aplicações em ações e títulos da dívida e o envio de dólares feito por multinacionais instaladas no Brasil.

Esse saldo negativo do segmento financeiro foi, em parte, compensado pelo ingresso líquido de US$ 249 milhões gerado pelo superávit comercial da quinzena.

Mesmo com a forte saída de dólares nos últimos meses, período que coincide com o agravamento da crise financeira global, o Brasil ainda tem fluxo cambial positivo no acumulado do ano de US$ 3,2 bilhões. Isso indica que, pelo menos por enquanto, mais dólares entraram que saíram do País durante o ano de 2008.

Apesar de positivo, o número é dramaticamente diferente do visto em igual período do ano passado, quando o fluxo tinha resultado positivo quase 30 vezes maior: US$ 86,9 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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