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Odebrecht planeja investir US$ 1,5 bi na Bolívia

BRASÍLIA - A Odebrecht voltará a discutir com o governo da Bolívia a instalação, no país, de um pólo gás-químico da Brasken, para industrializar o gás boliviano, segundo decidiram, em almoço, ontem, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, com o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. Na próxima semana, a Brasken enviará à Bolívia uma missão técnica para discutir com o governo local as condições de instalação do pólo, que depende de garantias de fornecimento regular de gás pelos bolivianos, e representa um investimento de até US$ 1,5 bilhão.

Valor Online |

"Tenho a esperança de que se Deus ajudar, ainda este ano, se a Brasken, a Petrobras e a YPFB se colocarem de acordo, nós poderemos estar aqui lançando o extraordinário projeto gás-químico entre Corumbá e Puerto Suárez, para dar à Bolívia um potencial industrial", comentou Lula, ao falar à imprensa sobre o encontro. "Em torno de uma indústria gás-química, dezenas de outras pequenas empresas se juntarão e possivelmente a gente possa viver algum tempo para ver tanto a região da Bolívia como essa região do Brasil se desenvolverem de forma extraordinária", disse.

Tomada discretamente durante o encontro dos dois presidentes, ontem, a decisão de retomada das negociações para o pólo gás-químico, com possível financiamento do BNDES, foi acompanhada de outros sinais de reatamento das relações entre os dois governos, que enfrentaram atritos em 2008 devido a ameaças a imigrantes brasileiros na fronteira e queixas contra a frustração de investimentos da Petrobras. Lula deu apoio explícito a Morales, em defesa da polêmica Constituição boliviana que será submetida a referendo no dia 25.

Ajudou a criar um bom clima no encontro a decisão do ministro da Energia, Edison Lobão, na semana passada, de manter a compra de 24 milhões de metros cúbicos de gás boliviano, mesmo após a recomendação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para cortar a demanda, para 19 milhões. Durante reunião com três ministros enviados por Morales, na sexta-feira, Lobão recebeu um ofício do Operador Nacional de Sistema indicando a religação de três usinas termelétricas, o que, segundo o ministro, permitiu elevar as compras do gás para o patamar reivindicado pelos bolivianos.

Morales, segundo Lula, prometeu ao governo brasileiro que "não faltará gás" ao Brasil. Lula garantiu que a Petrobras manterá o programa de investimentos de US$ 1,1 bilhão. "Espero que daqui para a frente a gente não tenha mais tormentas nessa questão do gás", disse Lula. Nas conversas reservadas dos dois, Lula chegou a cobrar de Morales o fim de um imbróglio jurídico que dificulta a doação de tratores brasileiros ao país. A doação depende de que a Bolívia quite uma pequena dívida com o Brasil que, por um acordo já firmado, seria abatida com a doação de terrenos para a representação diplomática brasileira. O negócio está parado pela burocracia e Morales prometeu resolver.

No encontro, marcado para inaugurar o trecho de estrada binacional que servirá ao futuro corredor interoceânico, de São Paulo a Iquique, no Chile, Lula acertou ainda com Morales maior cooperação no combate ao narcotráfico e anunciou o empréstimo de helicópteros brasileiros para a tarefa.

(Sergio Leo | Valor Econômico)

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