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Odebrecht já demitiu quase 3.800 equatorianos

SÃO PAULO - No centro da disputa diplomática entre os governos brasileiro equatoriano, a construtora Norberto Odebrecht passou as últimas semanas acertando os detalhes de sua saída do Equador. Após 21 anos, a empresa está deixando o país por ordem do presidente Rafael Correa, que no início de outubro publicou um decreto oficializando a decisão. Desde então, a Odebrecht conduz um processo de demissão em massa de seus funcionários no país.

Valor Online |

Eram cerca de 3.800 trabalhadores - apenas 37 brasileiros. A construtora informou que grande maioria dos trabalhadores já foi demitida.

Até o fim da semana passada, no entanto, faltava decidir de que bolso sairão as indenizações trabalhistas. A construtora disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que negocia uma possível solução conjunta com o governo, o que possibilitaria a divisão dos custos das indenizações. Um executivo da empresa afirmou que uma das alternativas em discussão é que as estatais equatorianas que estão assumindo a gestão das obras se comprometam a contratar todo o quadro que era da Odebrecht. A expectativa da construtora é que essa " transferência " a isente dos custos trabalhistas. A assessoria insiste que caso as regras do país exijam que a empresa arque com as indenizações, ela o fará.

A Odebrecht estava entre as maiores construtoras do Equador. Ela não informa qual será o custo total da desmobilização.

A empresa sai do país com quatro obras inconclusas: o aeroporto de Tena, no interior do país; as hidrelétricas de Baba e Toachi-Pilaton e o projeto de irrigação de Carrizal Chone. Equipes da construtora e das estatais trabalham juntas na transição das operações. Segundo a construtora, não há um prazo para isso.

A saída do Equador envolve também a venda ou a transferência de equipamentos como tratores, retroescavadeiras, moto-niveladoras, caminhões, automóveis e até alguns guindastes. A expectativa da empresa é vender a maior parte dos equipamentos para as estatais equatorianas. São centenas de itens. O que não vier a ser negociado será levados para países próximos ao Equador, onde a construtora tem canteiros de obras, como Venezuela ou Peru.

É a primeira vez em seis décadas de história, que a Odebrecht tem de abandonar um mercado à força. A empresa está em 21 países. A expulsão do Equador veio depois dos problemas deste ano na hidrelétrica de San Francisco (responsável por 12% da energia do país). A usina teve seu funcionamento interrompido. A empresa corrigiu os danos sob as condições cobradas pelo governo. A usina, entregue em 2007 pela Odebrecht, foi financiada parcialmente pelo BNDES. Alegando irregularidades no financiamento, Correa recorreu a um organismo internacional para cancelar a dívida. O Brasil reagiu retirando o embaixador de Quito.

Além de demitir e vender máquinas, a Odebrecht se prepara para sair da sala 808 do World Trade Center, em Quito, edifício luxuoso onde estão embaixadas e grandes empresas. De toda a desmobilização, mudar será o mais fácil.

(Marcos de Moura e Souza | Valor Econômico)

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