Tamanho do texto

Os efeitos da crise sobre o mercado de trabalho industrial se agravaram em janeiro. A ocupação no setor caiu 2,5% ante igual mês do ano passado, o pior resultado da série histórica da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2001.

Em relação a dezembro, houve recuo de 1,3%, a quarta queda consecutiva ante mês anterior. A renda e o número de horas pagas também mostraram mau desempenho no início do ano.

Em 12 meses, a ocupação na indústria prossegue com resultado positivo, mas a alta até janeiro, de 1,6%, é a mais baixa nesse indicador desde setembro de 2007. O técnico da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, avalia que os dados do mercado de trabalho industrial "não foram nada favoráveis, mas estão alinhados com a atividade industrial". Segundo ele, "dada a intensidade da queda na produção, esse efeito no emprego já era esperado".

A produção industrial acumulou queda de 18,2% em apenas quatro meses, de outubro do ano passado a janeiro deste ano, período em que o emprego no setor teve recuo acumulado de 3,9%. O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César Souza, observou que o emprego no setor não deve ter movimento tão drástico. "A queda será mais gradativa."
A analista da Tendências Consultoria Ariadne Vitoriano também avalia que "o mercado de trabalho do setor deve continuar mostrando deterioração", por causa do ritmo fraco da atividade industrial.

Macedo, do IBGE, observou que os efeitos da crise sobre o mercado de trabalho industrial foram generalizados em janeiro, com amplo impacto nas regiões e setores pesquisados. Alguns segmentos que tinham trajetória descendente, mas resultados ainda positivos até dezembro, como meios de transporte e máquinas e equipamentos, inverteram o sinal em janeiro, reduzindo vagas.

O índice de média móvel é considerado o principal indicador de tendência. O número de horas pagas, também um dado importante na análise do mercado de trabalho, caiu 1,8% em janeiro ante dezembro e 3,6% ante janeiro de 2008, o pior resultado mensal da série histórica.

Acompanhando a piora no emprego e na produção, a folha de pagamento real da indústria teve queda de 1,2% ante dezembro de 2008, o quarto resultado negativo nessa base de comparação. Em quatro meses, de outubro a dezembro, a renda no setor caiu 4,5%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.