As perspectivas de crescimento econômico internacional seguem melhorando, indicou ontem, em Paris, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) será modesta nos próximos dois anos. Apesar de reconhecer a melhoria em seus 30 países-membros, a entidade alertou para o aumento contínuo do desemprego até 2011 e os efeitos da crise sobre as finanças públicas.

O relatório Perspectivas Econômicas indica que o recuo da atividade econômica será menor do que o previsto em junho: -3,5%, ante -4,1%. A tendência prossegue em 2010, quando a aceleração da atividade permitirá um crescimento de 1,9%, bem superior aos 0,7% projetados até então.

E a recuperação será mais forte nos Estados Unidos. Se em 2009 a retração projetada é de 2,5%, no próximo ano a recuperação será idêntica: 2,5%. Já em 2011, o ritmo deve se acelerar e alcançar 2,8%. No Japão, onde a recessão neste ano será mais dramática - -5,3% -, a retomada também ocorrerá em 2010 e 2011: 1,8% e 2%.

Na zona do euro, formada por 16 países, a retração projetada para 2009 é de 3,5%. Nos dois próximos anos, o crescimento retorna, mas em ritmo ainda lento: 0,9% e 1,7%. "A retomada que começou há alguns meses em várias economias não integrantes (da zona da OCDE) ganhou agora o conjunto de países da OCDE. No entanto, na maior parte desses países o crescimento flutuará em torno de uma taxa tendencial pouco elevada no futuro próximo", diz o relatório da entidade, reforçando: "Ainda freada por fortes ventos contrários".

Segundo Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos, a recuperação "tímida" se deve à reorganização das finanças e à redução das dívidas, tanto na indústria, quanto pelas famílias. Com inflação baixa, chegando a patamares negativos no Japão, o efeito da crise vai durar mais do que o esperado.

A tradução dessa inércia recessiva será o desemprego. Até aqui, mais de 21 milhões de postos de trabalho foram fechados nos 30 países, em comparação a 2007. E a tendência é continuar crescendo, de 8,2% em 2009 para 9% no próximo ano. Em 2011, a recuperação do mercado de trabalho será pequena - 0,2%.

Além da equação emprego-renda, preocupa a escalada da dívida pública, que até 2011 deverá superar 100% do PIB na zona da OCDE. Por essa razão, os economistas sugerem que os países já planejem o fim dos pacotes de estímulo, mesmo que não os suspendam imediatamente. "O momento de planificar a estratégia de desmantelamento das políticas anticrise chegou, mesmo que sua implementação deva ser progressiva", diz o relatório.

BRICS
A euforia com que o governo fala em "crescimento chinês" não contagia os economistas da OCDE. A organização prevê que o país voltará a registrar a pior taxa de crescimento entre os países do Bric - Brasil, Rússia, Índia e China - já em 2010.

No ano que vem, o PIB da China evoluirá 10,2% - retomando os níveis pré-crise -, a Índia crescerá 7,3% e até mesmo a Rússia, a economia mais debilitada entre os grandes emergentes, se sairá melhor: 4,9%.

Ao Brasil, resta a projeção de 4,8% de crescimento do PIB em 2010 e de 4,5% em 2011. A OCDE vê uma ligeira tendência inflacionária no horizonte. Da taxa projetada para 2009, de 4,2%, o País caminharia para 4,8% em 2010. A OCDE lembra que o Brasil voltou a crescer já no segundo trimestre e diz que "a demanda doméstica está programada para crescer vigorosamente no último trimestre de 2009 e em 2010". A entidade, no entanto, ressalva: "Os investimentos ainda não se recuperaram". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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