Paris, 16 jul (EFE).- As políticas públicas de apoio aos biocombustíveis são custosas, repercutem nos preços mundiais dos alimentos e sua utilidade para reduzir as emissões de gases do efeito estufa é limitada, informou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em relatório divulgado hoje, a OCDE que agrupa 30 países, assinalou que o custo destas políticas públicas será de US$ 25 bilhões anuais em 2015 nos EUA, Canadá e União Européia (UE), frente aos US$ 11 bilhões de 2006.

Na atualidade essas medidas são responsáveis por uma redução líquida de menos do 1% nas emissões de gases do efeito estufa associadas ao transporte.

De acordo com o texto, as políticas de apoio aos biocombustíveis custam entre US$ 960 e US$ 1.700 por cada tonelada de gás do efeito estufa economizado.

Segundo a OCDE, os efeitos a médio prazo destas medidas sobre a produção agrícola são importantes, embora não devem ser superdimensionados.

Com as políticas atualmente em vigor, 12% da produção mundial de cereais secundários e 14% da produção mundial de óleo vegetal poderiam dedicar-se a médio prazo à produção de biocombustíveis.

Estas porcentagens serão elevadas a 13% para os cereais secundários e a 20% para o óleo vegetal, uma vez que entre em vigor nos EUA a lei sobre independência e segurança energéticas e que seja aprovado na UE o projeto sobre energias renováveis.

A OCDE calcula que por causa das medidas existentes hoje a favor dos biocombustíveis os preços a médio prazo do trigo, do milho e dos óleos vegetais aumentarão, respectivamente, a médio prazo 5%, 7% e 19%, e poderiam ter outra alta da mesma ordem caso entrem em vigor as novas políticas programadas.

Segundo relatório, as medidas de apoio aos biocombustíveis podem ter um impacto considerável sobre o uso da terra em escala mundial e acelerar as superfícies cultivadas na América Latina e na África, mas é importante prevenir os danos ao meio ambiente e o desmatamento.

Diante desses fatos, a OCDE recomenda que cada país adote suas próprias estratégias segundo suas prioridades, já que não existe uma "política universalmente aplicável" que permita cumprir os objetivos e minimizar as conseqüências.

É mais barato reduzir o consumo de energia, sobretudo no setor dos transportes, que substituir fontes de energia por outras, por isso que pede maiores esforços neste sentido.

Outra medida é favorecer o uso de superfícies ainda não cultivadas em vez de recorrer à produção em zonas ecológicas sensíveis.

A OCDE defende a abertura do mercado dos biocombustíveis e de suas matérias-primas para baratear e fazer mais eficaz a produção e limitar o impacto sobre o meio ambiente e a dependência dos combustíveis fósseis.

A médio prazo, a expansão do setor dos biocombustíveis encarecerá os alimentos e aumentará a insegurança alimentícia dos mais desfavorecidos, mas caso se liberalize, o setor pode se transformar em uma opção econômica viável em alguns países em desenvolvimento.

A organização recomenda também maior pesquisa, tanto no setor dos biocombustíveis como no da energia solar e de outras tecnologias promissoras. EFE ik/rr

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