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A construção do trem de alta velocidade (TAV) - o chamado trem-bala - que ligará São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, deverá criar 72 mil empregos diretos e indiretos - cerca de 17% no período de construção e o restante até 2050

A construção do trem de alta velocidade (TAV) - o chamado trem-bala - que ligará São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, deverá criar 72 mil empregos diretos e indiretos - cerca de 17% no período de construção e o restante até 2050. A estimativa faz parte do estudo de viabilidade do projeto encomendado pelo governo. O edital de concessão do trem-bala foi divulgado ontem no site da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o leilão está marcado para o dia 16 de dezembro, em São Paulo. A obra tem custo estimado de R$ 33,1 bilhões, dos quais R$ 19,9 bilhões devem ser financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apenas no período de construção, a oferta de empregos deve ser de 12 mil vagas para o canteiro de obras, fabricação de equipamentos, além de postos relacionados ao suprimento de materiais de construção, por exemplo. O estudo prevê ainda outros 30 mil postos de trabalho, sendo 23 mil no Estado de São Paulo, durante dez anos de operação devido ao aumento do tráfego e o desenvolvimento de zonas comerciais. Tais vagas estão relacionadas a serviços nas áreas de comércio, transporte, indústria e logística. Já a longo prazo, por volta de 2050, a estimativa é de mais 30 mil novos empregos, resultantes das mudanças na economia regional, como a entrada de novas empresas no mercado e a ocorrência de novas atividades econômicas. De acordo com Carlos de Faro Passos, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e consultor na área de infraestrutura, a construção civil será o setor que mais necessitará de mão de obra inicialmente. E as necessidades englobarão desde engenheiros até pedreiros para a execução da obra. Já na área da indústria, os empregos devem ser criados no país que executará o projeto, já que a tecnologia do trem de alta velocidade será importada. Empresas de projetos para detectar e fazer estimativas de custos também devem se beneficiar com a obra. Segundo o professor e diretor do Master em Finanças da Business School São Paulo (BSP) e consultor na área de infraestrutura, Fernando Leme Fleury, a construção do trem-bala demandará mão de obra, principalmente, nas áreas de engenharia e geotecnia. Também terão destaque os setores afetados pela cadeia produtiva, como as companhias fornecedoras dos equipamentos. Na fase seguinte, quando o trem já estiver em operação, a demanda será por condutores, agentes e operadores. "A transferência de tecnologia associada à implantação do projeto pode ser um gatilho de novas profissões no território nacional", destaca o especialista. Para Fleury, o País terá dificuldades com a falta de mão de obra qualificada e não-qualificada, já que o Brasil conta com quatro grandes projetos: duas usinas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau), em Rondônia, usina de Belo Monte, no Pará, e o trem-bala, que inclui os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Preço da passagem O valor máximo do bilhete econômico deve ser de R$ 199,73, conforme a avaliação técnica. O custo é maior que o das passagens de ônibus para o trecho São Paulo a Rio de Janeiro, que variam de R$ 55,66 a R$ 111, em ônibus leito. Já o preço de uma viagem aérea varia conforme o dia da compra e a disponibilidade de lugares. É possível comprar bilhetes a partir de R$ 70, sem taxa de embarque. Já quem deixa para a última hora pode pagar R$ 400 pelo mesmo trecho, por exemplo.

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