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Obama prevê déficit fiscal acima de US$ 1 trilhão nos EUA

Macarena Vidal. Washington, 6 jan (EFE).- O déficit fiscal dos Estados Unidos se encontra no caminho de superar a barreira de US$ 1 trilhão, e pode se manter acima desse nível durante uma longa temporada, advertiu hoje o presidente eleito americano, Barack Obama.

EFE |

Obama se reuniu nesta terça-feira com sua equipe econômica, com a qual abordou o estado dos orçamentos e o efeito do plano de estímulo que quer que o Congresso aprove o mais rápido possível e que desembolsaria cerca de US$ 775 bilhões em dois anos.

Em um breve pronunciamento após o encontro, o futuro governante indicou que o déficit fiscal se encontra no caminho de superar US$ 1 trilhão, mas precisou que a despesa do plano de estímulo é necessária para dar um impulso à economia, imersa em uma profunda crise.

"Mesmo antes de iniciarmos os próximos orçamentos, teremos aqui US$ 1 trilhão de déficit", indicou Obama, que prometeu que a recuperação econômica será sua principal prioridade quando chegar à Casa Branca, em 20 de janeiro.

"Potencialmente, encararemos déficits de US$ 1 trilhão durante anos, inclusive com a recuperação econômica na qual estamos trabalhando", advertiu o futuro governante, que admitiu que seu Governo terá de "tomar decisões difíceis" sobre o orçamento.

"Sabemos que teremos de gastar dinheiro para dar um impulso à economia (...) Teremos de iniciar uma série de medidas fiscais para que o orçamento seja sustentável a médio e longo prazo", indicou.

O déficit fiscal americano se encontrava em US$ 455 bilhões no fechamento do último ano fiscal, em 30 de setembro.

Esse número, no entanto, não inclui o plano de resgate financeiro solicitado pela Casa Branca e aprovado pelo Congresso em outubro, avaliado em cerca de US$ 700 bilhões e dos quais a metade já foi distribuída.

O Escritório de Orçamentos do Congresso deve emitir nesta quarta-feira sua análise sobre a situação do déficit fiscal americano.

Os analistas calculam que o relatório apresentará um déficit fiscal para o ano corrente superior a US$ 1 trilhão.

Obama prometeu hoje uma grande reforma tributária nos próximos anos, o que qualificou de "absolutamente necessário" para reduzir "tanto o déficit em dólares como o déficit na confiança" dos cidadãos.

"É hora de deixar de falar em reforma e começar a executá-la", sustentou o presidente eleito.

Entre outras medidas, prometeu uma "transparência absoluta" na atribuição dos fundos procedentes do plano de reativação econômica.

Obama foi na segunda-feira ao Congresso para se reunir com os líderes do Legislativo, tanto republicanos como democratas, e obter apoio para seu plano.

Os democratas apóiam o projeto de maneira decidida, mas a minoria republicana insiste na necessidade de implantar mecanismos de supervisão estritos para garantir que os fundos não sejam desperdiçados.

Neste sentido, Obama insistiu em que não poderá "conseguir o apoio dos cidadãos neste esforço imprescindível, a menos que sejam adotados passos extraordinários para garantir que os investimentos sejam realizados de maneira sensata e bem administrados".

"Meu plano de recuperação terá um novo padrão de transparência e supervisão", acrescentou.

Uma das possibilidades ventiladas é a de estabelecer uma página na internet onde qualquer cidadão possa comprovar o destino dado aos fundos.

Com seu plano de estímulo, Obama disse que pretende criar três milhões de empregos.

O Departamento de Trabalho divulgará na próxima sexta-feira os números do desemprego de dezembro, que os analistas acreditam que mostrarão o fim de mais de meio milhão de postos de trabalho, o que elevaria a taxa em três décimos, para 7%. EFE mv/mh

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