Por Caren Bohan e Deborah Charles CHICAGO (Reuters) - Barack Obama vai se reunir na sexta-feira com sua equipe econômica e dará a primeira entrevista coletiva desde que foi eleito presidente dos EUA, disseram assessores dele na quinta.

Diante da maior crise financeira nos EUA desde a Grande Depressão, Obama está sob pressão para anunciar imediatamente a sua equipe econômica, especialmente o secretário do Tesouro. Em Wall Street, a Bolsa caiu forte pelo segundo dia consecutivo.

Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro no governo de Bill Clinton, e Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve dos EUA, estão entre os mais cotados para o Tesouro.

Laura Tyson, que presidiu o Conselho de Consultores Econômicos no governo Clinton, também tem sido citada como possível candidata. Já o respeitado ex-secretário Robert Rubin já disse que não pretende voltar ao cargo.

Assessores não quiseram dizer se Obama anunciará ocupantes de cargos na entrevista.

Lawrence Glazer, sócio-gerente da consultoria Mayflower Advisors, de Boston, disse que o escolhido precisa ser alguém com boa capacidade de comunicação.

"É um cenário financeiro bastante complicado. Poder passar isso em termos simples para o público norte-americano é essencial. Alguém com experiência política seria útil", disse.

O novo secretário do Tesouro terá de administrar a aplicação do pacote de resgate financeiro de 700 bilhões de dólares e a reforma do marco regulatório bancário, para evitar que o colapso se repita.

Para outros cargos econômicos de primeiro escalão, podem ser chamados também o economista Austan Goolsbee, da Universidade de Chicago, e Jason Furman, ex-consultor de Clinton.

Por volta de 17h de quinta-feira, a Bolsa de Nova York registrava baixa superior a 4 por cento, depois de cair cerca de 5 por cento na véspera, maior tombo já registrado no dia seguinte a uma eleição presidencial - após uma terça-feira em que registrou a maior alta em dia de eleição.

REUNIÃO COM BUSH

O democrata, que fez história ao se tornar o primeiro negro eleito presidente dos EUA, pretende se reunir na próxima segunda-feira com o presidente George W. Bush na Casa Branca.

Bush prometeu colaborar na transição para Obama, que assume a presidência em 20 de janeiro.

"Nos próximos 75 dias, todos nós devemos garantir que o próximo presidente e sua equipe já cheguem trabalhando", disse Bush na Casa Branca.

O presidente atual e o futuro devem discutir na semana que vem questões como a crise financeira e a guerra do Iraque.

Obama também deve divulgar em breve o nome do seu chefe de gabinete. Fontes do Congresso dizem que o deputado Rahm Emanuel, que é de Chicago e conhece Obama há anos, já aceitou o cargo.

O novo presidente também deve apressar a formação da sua equipe de segurança nacional, devido ao risco de que a Al Qaeda tente submeter o novo governo à prova logo em seus primeiros dias.

"Sabemos que a Al Qaeda e outros vão tentar testar o novo governo. Não sei de nada específico, mas sabemos que é um período de preocupação elevada", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

James Steinberg, ex-assessor do governo Clinton, está bem cotado como assessor de segurança nacional. Susan Rice, que também foi assessora de Clinton, pode ir para esse ou outro cargo.

Com duas guerras em andamento, Obama poderia manter Robert Gates como secretário de Defesa.

Para o Departamento de Estado, são cogitados o senador John Kerry, o ex-diplomata Richard Holbrooke, o senador republicano (em fim de mandato) Chuck Hagel e o ex-senador democrata Sam Nunn.

(Reportagem adicional de John Parry em Nova York e Jeremy Pelofsky e Thomas Ferraro em Washington)

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