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Obama precisa mudar estilo para vencer, dizem analistas

WASHINGTON - As pesquisas que saíram do forno no meio do temporal que caiu sobre Wall Street indicaram que o agravamento da crise econômica americana ajudou o senador Barack Obama a ganhar velocidade na corrida à Casa Branca, mas até analistas ligados ao Partido Democrata têm manifestado ceticismo sobre a capacidade que o candidato terá de saltar os obstáculos à sua frente. Segundo o Gallup, Obama tem hoje o apoio de 49% dos eleitores americanos e o candidato do Partido Republicano, o senador John McCain, está com 45%. Há indícios de que nos últimos dias Obama abriu uma pequena vantagem sobre o rival, mas a disputa entre eles continua apertadíssima, especialmente nos Estados que deverão ter peso mais decisivo no jogo.

Valor Online |

Muitos observadores acham espantoso que Obama não tenha disparado na frente do adversário até agora. A impopularidade dos republicanos e do governo do presidente George W. Bush, a aflição do eleitorado com a economia e o cansaço com a guerra no Iraque criaram um ambiente tão propício para os democratas que fica difícil entender por que seu candidato não está apresentando um desempenho melhor nas pesquisas.

Muitos eleitores se assustam com a inexperiência de Obama, característica que os adversários insistem em realçar. Alguns não conseguem se identificar com ele porque ele é negro. Mas nas últimas semanas um coro crescente entre os democratas passou a atribuir as dificuldades de Obama a fatores que nada têm a ver com racismo ou trapaças dos republicanos, apontando falhas na condução da sua campanha e na forma como ele se comunica com o eleitorado.

" [Obama] corre o risco de desperdiçar uma eleição que muitos pensávamos que era impossível perder " , disse na semana passada William Galston, que foi um graduado assessor do ex-presidente Bill Clinton e hoje trabalha na Instituição Brookings, um influente centro de estudos. " A razão é simples: na questão mais importante para o eleitorado, a economia, [ele] não tem uma mensagem clara. "
Numa carta-aberta ao candidato que fez circular na terça-feira, Galston fez várias críticas a Obama. Disse que seus discursos são muito longos e têm poesia demais, que seus ataques contra McCain e os lobistas que trabalham na campanha republicana são pura perda de tempo, e que seria muito melhor concentrar seu plano econômico em torno de poucas propostas do que tentar oferecer soluções para tudo.

Um relatório distribuído por dois especialistas em pesquisas, Stan Greenberg e James Carville, o estrategista por trás da eleição de Clinton em 1992, expressou o mesmo tipo de desgosto. " McCain reivindicou o manto da mudança e definiu-a em temos que são críveis para alguns eleitores " , escreveram eles. " Na ausência de uma mensagem coerente de mudança da parte de Obama, muitos eleitores estão aceitando a definição de McCain. "
De maneira geral, as pesquisas mostram que o eleitorado confia mais na capacidade de Obama de conduzir a economia do que em McCain. Mas sua vantagem sobre o candidato republicano nesse departamento diminuiu significativamente antes que a crise financeira se agravasse, segundo o levantamento mais recente do Centro de Pesquisas Pew, concluído dias antes do terremoto da última semana.

O agravamento da situação oferece a Obama uma oportunidade valiosa para reverter essa tendência, porque tende a aumentar a insatisfação com o governo e os republicanos. Os analistas políticos em geral acham que sua reação inicial foi mais adequada que a de McCain, mas os últimos dias também tornaram visíveis as dificuldades que ambos encontram para lidar com o tema.

Obama tem procurado tirar vantagem da crise culpando os republicanos pelos problemas em Wall Street e associando McCain às políticas do governo Bush. Mas seu esforço para vencer os temores do eleitorado e se mostrar como um líder moderado e confiável levaram-no a manifestar apoio a todas as medidas adotadas pelo governo Bush até agora para combater a crise.

McCain também endossou as iniciativas do governo. Mas adotou durante a semana um comportamento errático, primeiro classificando como " sólidos " os fundamentos da economia americana e depois imprimindo um tom populista aos seus discursos. McCain culpou a " ambição " de Wall Street pela crise e pediu a demissão das autoridades responsáveis pela vigilância do mercado de capitais.

Os eleitores americanos poderão examinar melhor as diferenças entre os dois candidatos na próxima sexta-feira, quando Obama e McCain se enfrentarão no primeiro dos três debates que serão realizados na reta final da campanha. " Nenhum dos dois candidatos é muito consistente na questão da economia " , afirmou na semana passada Neil Newhouse, sócio da Public Opinion Strategies, uma empresa que faz pesquisas para os republicanos.

"(Ricardo Balthazar | Valor Econômico)"

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