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Obama manterá secretário de Bush

A ABC News e o jornal The Politico informaram ontem que o atual secretário de Defesa, Robert Gates, concordou em permanecer no cargo no governo de Barack Obama. O presidente eleito pretende anunciar toda a sua equipe de segurança nacional no início da semana que vem, incluindo o nome da senadora Hillary Clinton como secretária de Estado e o do almirante Jim Jones, ex-comandante da Otan na Europa, como conselheiro de segurança nacional.

Agência Estado |

A opção pela permanência de Gates seria o cumprimento da promessa de formar um gabinete bipartidário e dá mais força para os planos de Obama de retirar os soldados americanos do Iraque, agora sob a supervisão de um dos arquitetos do conflito e alguém ligado ao presidente George W. Bush.

Os rumores da permanência de Gates surgiram no início das especulações sobre a formação do gabinete. Fontes ligadas a Obama e ao atual secretário de Defesa disseram que os dois passaram as últimas semanas negociando os futuros poderes de Gates e definindo como o Pentágono deverá ser administrado de agora em diante.

Obama também anunciou ontem que adotará um plano minucioso de corte de gastos do governo, com a eliminação de programas desnecessários, o que poderia incluir alguns subsídios agrícolas, ao mesmo tempo em que colocará em prática o pacote de estímulo econômico, que pode chegar a US$ 700 bilhões.

"Um relatório do governo divulgado hoje diz que fazendeiros milionários receberam US$ 49 milhões em subsídios agrícolas entre 2003 e 2006. Se for verdade, esse é o exemplo ideal do tipo de desperdício que vai acabar no meu governo", disse Obama.

Tratou-se de uma referência a um estudo divulgado pelo Escritório de Supervisão do Governo (GAO, na sigla em inglês), que afirma que cerca de 2,7 mil produtores - de um total de 1,8 milhões - receberam US$ 49 milhões de dólares em subsídios entre 2003 e 2006. Esses beneficiários faturam mais de US$ 2,5 milhões por ano e boa parte de suas atividades não tem nenhuma relação com a agricultura, o que, teoricamente, não os qualificaria para receber dinheiro público.

Apesar da referência, Obama não detalhou sua proposta nem deixou claro se promoveria cortes significativos de subsídios agrícolas, que consomem de entre US$ 7 bilhões a US$ 9 bilhões por ano.

Ao anunciar seu diretor do Escritório de Orçamento e Administração, Peter Orszag, ele enfatizou os sacrifícios que os americanos terão de fazer durante a crise. "Se quisermos realizar os investimentos que precisamos, teremos de cortar os gastos que não são necessários", disse.

"Nesses tempos difíceis, em que encaramos déficit em alta e economia em baixa, reforma orçamentária não é uma opção, é um imperativo. Não podemos manter um sistema que sangra bilhões de dólares dos contribuintes em programas que não são mais úteis ou existem apenas por causa do poder de políticos e lobistas."

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